Região

Governo lança conclusão da A25, mas promete estudar novo acesso a Vilar Formoso

A ligação a Espanha através da A25 vai estar concluída no segundo trimestre 2020, mas esta é uma obra que preocupa a população de Vilar Formoso e os autarcas locais.

Foi assinado na passada terça-feira o contrato da empreitada para a construção do troço final da A25, entre Vilar Formoso e a fronteira, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro António Costa e do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.
A futura ligação em perfil de autoestrada à espanhola A62 – Autovia de Castilla representa um investimento de 13,2 milhões de euros, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP). Adjudicada à Conduril SA, a obra, cuja conclusão está prevista para o segundo trimestre de 2020, consistirá na execução de um troço com 3,5 quilómetros de extensão, a reformulação do atual nó de Vilar Formoso, a construção de um viaduto com 330 metros de extensão sobre a ribeira de Tourões e construção de dois ramos de acesso ao nó de Fuentes de Oñoro, já em território espanhol. Mas esta é uma empreitada que está longe de gerar consenso entre a população de Vilar Formoso e os autarcas locais. O desagrado ficou claro na cerimónia de terça-feira.
No seu discurso, o presidente da Câmara de Almeida disse aos governantes reconhecer «a coragem de virem mostrar uma obra com a qual a população não concorda». Embora admita que seja uma obra «crucial para o comércio internacional de mercadorias, importante para o desenvolvimento dos dois países», António Machado lamenta que esta ligação a Espanha por autoestrada seja também um «problema para as nossas povoações». O autarca pede por isso a requalificação do parque TIR, que «tem que ser um equipamento de referência, seguro e que responda às necessidades das empresas que transportam mercadorias», e a construção de uma «ligação direta» a Vilar Formoso, lembrando que do outro lado da fronteira, Fuentes de Oñoro vai ter essa ligação. O edil pediu ainda um serviço de apoio ao viajante, ao transporte e à logística na vila fronteiriça.
Da mesma opinião partilha o presidente da Junta de Freguesia de Vilar Formoso, que, à margem da cerimónia, disse a O INTERIOR que esta obra é vista com «preocupação» pelo futuro da economia local. «A população e os comerciantes esperam alguma coisa em troca», disse Manuel José Gomes, que também defende que o Parque TIR «seja tido em conta de uma vez por todas», pois carece de iluminação e casas-de-banho, «uma situação vergonhosa». Segundo o autarca local «o estado é dono dessa estrutura e não percebemos porque não olha para ela». Durante a cerimónia, o ministro Pedro Marques disse «compreender bem o medo» das populações, mas explicou que «temos de ser capazes de tomar as decisões que fazem avançar o país e as nossas regiões». No entanto, o governante assumiu querer, «ao mesmo tempo, ter a sensibilidade de resolver aqueles problemas que possam pôr em causa o desenvolvimento de cada terra». Por isso, ficou a «promessa, em nome do Governo», que serão encontradas «boas soluções» através de um trabalho com a Câmara de Almeida e a Junta de Freguesia de Vilar Formoso. «É a nossa obrigação. Vamos fazer em conjunto, porque quem melhor conhece a realidade são os que cá estão», acrescentou Pedro Marques.
Também António Costa se interrogou como era «possível ter um Parque TIR e não o aproveitar como infraestrutura de desenvolvimento?». Quanto à ligação da A25 à A62 espanhola, o primeiro-ministro pediu que a obra fosse vista «como uma peça de 3,5 quilómetros, num quadro de uma estratégia comum», dizendo-se convicto de que a assinatura do contrato é «um momento muito importante» para o desenvolvimento das regiões transfronteiriças. Para António Costa, já não há «nenhuma razão para que esta fronteira continue a ser um ponto de separação e não passe a ser aquilo que é importante que seja: um ponto de união». O chefe do executivo sublinhou ainda que a proximidade a Espanha permite «uma dinâmica de desenvolvimento», desde que exista um «trabalhar em conjunto», pelo que a região de fronteira deve ser encarada como «uma centralidade fundamental para o investimento no e para o mercado ibérico».

Sobre o autor

Ana Eugénia Inácio

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