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Distrito da Guarda é o mais abrangido pelo Programa de Prospeção e Pesquisa de Lítio

Lítio
Escrito por Efigénia Marques

A Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) está a promover uma avaliação ambiental preliminar do Programa de Prospeção e Pesquisa de Lítio (PPP Lítio) nas oito áreas designadas pelo Governo, nomeadamente na Guarda, que é o distrito mais abrangido pelo programa.
Esta informação foi divulgada na semana passada, sendo que o PPP Lítio prevê a pesquisa em oito áreas abrangendo oito distritos, «numa área total de três quilómetros quadrados, uma área superior ao distrito de Lisboa (2.761 quilómetros quadrados) ou do Porto (2.395 quilómetros quadrados) ou de Aveiro (2.808 quilómetros quadrados)». A Guarda vai ter três áreas abrangidas no programa, seguindo-se Castelo Branco e Viseu, que vão ter duas. No distrito da Guarda os concelhos abrangidos são Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel, Trancoso, Mêda, Sabugal, Gouveia, Fornos de Algodres, Seia e Celorico da Beira. Já no distrito de Castelo Branco são os concelhos de Belmonte, Covilhã, Fundão e Idanha-a-Nova.
Em declarações ao “Jornal Económico”, João Bernardo, diretor-geral da Energia e Geologia, referiu que «o aproveitamento do metal lítio no nosso país, quando feito em condições ambientalmente e socialmente responsáveis, tem a potencialidade de gerar uma oportunidade económica tanto pela criação de emprego, pela atratividade dos territórios onde os jazigos minerais existem, como pela possibilidade da criação de um cluster industrial que trate a matéria-prima e a transforme num produto de maior valor acrescentado, podendo ainda o ambiente beneficiar da utilização de um material tão essencial valorizado com garantias de responsabilidade ambiental e social». Por sua vez, o jornal “ECO” destaca que «o plano do Governo para o lítio não salvaguarda a exclusão de áreas classificadas ao abrigo de compromissos internacionais, como as Reservas da Biosfera e Geoparques», como por exemplo o Geopark Serra da Estrela.
O Movimento ContraMineração Beira Serra já reagiu, dizendo que recebeu «em choque e com indignação» a notícia da entrada em consulta pública do relatório de avaliação ambiental preliminar do PPL Lítio. «A escolha do momento para a mesma, logo após o conhecimento dos resultados eleitorais, é reveladora da dissimulação em todo este processo, pelo escamotear do tema durante a campanha eleitoral e assunção de uma permissão ilimitada que tudo justifica, com os resultados obtidos», criticou Renata Almeida, porta-voz do movimento, alertando que o prazo dado para consulta pública irá coincidir com o período de transição nas autarquias e Juntas de Freguesia, «o que dificultará a reflexão e elaboração de pareceres técnicos pelos agentes que mais próximo estão da realidade das zonas em causa».

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