Política

Lista de deputados nas mãos de Rui Rio

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Escrito por Efigénia Marques

Paulo Rangel venceu no distrito da Guarda com uma diferença de 357 votos para Rui Rio, que foi reeleito presidente do PSD e terá palavra final sobre composição da lista às legislativas

Sem surpresa, Paulo Rangel venceu no distrito da Guarda, mas o resultado esmagador de pouco serviu para impedir a reeleição de Rui Rio na presidência do PSD. Por cá, o eurodeputado obteve 748 votos contra 391 do líder recandidato a um terceiro mandato.
São 357 votos de diferença que poderão ter algum reflexo na formação da lista para as legislativas de 30 de janeiro. Paulo Rangel ganhou em Aguiar da Beira, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Gouveia, Fornos de Algodres, Manteigas, Mêda, Pinhel e Seia. Já a Guarda, Sabugal, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa e Celorico da Beira deram a vitória a Rui Rio, que dirige o partido desde janeiro de 2018. A distrital guardense tinha declarado apoio a Rangel e, no rescaldo das eleições, Carlos Condesso começou por dizer que «o PSD mostrou uma grande vitalidade e que é um partido com uma enorme força». O líder distrital considerou também que Rui Rio sai «mais forte» deste ato eleitoral, «não só para dirigir o partido, como para liderar o país já em janeiro». No entanto, assumiu que o partido tem, «a partir de hoje, de estar mais unido que nunca para ganhar as próximas legislativas».
Entre os apoiantes de Rio, Chaves Monteiro disse a O INTERIOR ter ficado «satisfeito» com o resultado nacional e destacou a vitória em cinco concelhias, não sem antes admitir que gostaria de ter visto «maior empenho a nível distrital» dos apoiantes de Rui Rio. A partir de agora, o ex-presidente da Câmara apela à união dos militantes no distrito para vencer as legislativas: «O PSD tem que estar unido e focado em ter as melhores ideias para combater o PS no Governo», afirmou, garantindo que, tal como no passado recente, não esteve envolvido na candidatura de Rui Rio «para obter seja o que for». De resto, lembrou que o líder reeleito já disse que «não prometeu nada a ninguém e a mim também não».
Também João Paulo Sousa, autarca de Vila Nova de Foz Côa, considerou que é tempo de «todos pormos uma pedra sobre este assunto e vamos todos juntos, unidos, tentar ganhar» as legislativas. Contudo, face aos resultados, constatou que as opções dos militantes foram claras: «Em Foz Côa acreditámos em Rui Rio, continuamos a acreditar que é a pessoa melhor posicionada, outros não o fizeram, acharam que não devia ser e, portanto, cada um tira as suas conclusões», acrescentou. João Paulo Sousa adiantou ainda que a concelhia fozcoense já indicou o nome de Gustavo Duarte para integrar a lista social-democrata pela Guarda, sublinhando que o ex-presidente da autarquia e antigo deputado tem «um “know-how” suficiente e um histórico político que fala por si».
Por sua vez, João Mourato, presidente da Câmara da Mêda, declarou que o momento é de «harmonia e união» para o partido vencer a 30 de janeiro. «Vi com muita injustiça não ter melhores resultados no distrito, mas ganhou a nível nacional, foi uma grande vitória e vai surtir algum efeito positivo no PSD», admitiu este apoiante «de sempre» de Rui Rio. O histórico social-democrata espera agora que a lista para as legislativas integre nomes «mais ou menos em consonância com o atual líder», a quem cabe escolher o primeiro elemento e ter também «uma palavra a dizer» sobre os restantes.
As listas de candidatos terão de ser entregues ainda antes deste fim de semana à Comissão Nacional, a tempo de serem discutidas, negociadas e revistas antes do Conselho Nacional de 7 de dezembro, em Évora, para aprovação final. Até lá, Rui Rio já avisou que «não será ingrato» e que vai decidir «em função de dois critérios: primeiro a competência, depois a lealdade». Também uma possível coligação com o CDS-PP poderá baralhar as contas de putativos candidatos.

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Efigénia Marques

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