Política

Abstenção é o principal problema de Alexandre Lote

Escrito por Luís Martins

Candidato único à Federação do PS da Guarda vai ser eleito esta sexta-feira, num ato em que podem votar 964 militantes e corre o risco de ser dos menos mobilizadores dos últimos anos

Os socialistas vão a votos esta sexta-feira para eleger Alexandre Lote, único candidato à presidência da Federação da Guarda. Há 964 militantes em condições de votar e de escolher também os delegados ao próximo congresso federativo, já adiado devido ao coronavírus, e que terá lugar em Seia.
O vice-presidente da Câmara de Fornos, de 36 anos, vai suceder a Pedro Fonseca, que se demitiu do cargo em julho de 2019, e tem a árdua tarefa de relançar e reorganizar a Federação após nove meses de gestão corrente. De resto, o compromisso de Alexandre Lote é «construir uma Federação assente em três pilares: respeitar a matriz do PS; fomentar a proximidade e abrir o partido à sociedade; e criar um projeto vencedor nas próximas autárquicas». Mas o seu primeiro desafio é evitar uma taxa de abstenção que desvalorize o resultado do ato eleitoral desta sexta-feira, que pode ser um dos menos mobilizadores dos últimos anos.
Guarda (175), Seia (149) e Vila Nova de Foz Côa (120) são as concelhias com mais militantes em condições de votar. Fornos de Algodres, com 98 militantes com capacidade eleitoral, e Celorico da Beira, com 88, são outras das secções que farão a diferença, tal como Mêda (61) e Gouveia (59). As restantes sete concelhias têm menos de 50 eleitores, sendo Pinhel (16) e Almeida (18) as de menor expressão eleitoral. Mas a mobilização não é o único problema de Alexandre Lote. O INTERIOR sabe que as concelhias de Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa não vão eleger os seus delegados ao congresso e serão apenas representadas pelos delegados inerentes. Na seção liderada por José Albano Marques não houve qualquer lista e em Foz Côa uma tentativa de entendimento entre duas correntes diferentes fracassou.
Já na Guarda a inclusão de Pedro Pires na lista de delegados causou revolta e forçou António Monteirinho a excluir o adjunto da secretária de Estado da Ação Social do rol de candidatos. Tudo porque vários militantes propostos, entre os quais Armando Reis e João Igreja, ameaçaram renunciar se o presidente da Assembleia de Freguesia de Gonçalo integrasse a lista liderada por Miguel Borges. A polémica foi de tal ordem que não deixou alternativa ao líder concelhio. Pedro Pires continua a ser “persona non grata“ para muitos socialistas, que ainda não esqueceram o seu papel na formação de uma lista independente, em 2013, com Virgílio Bento, que dividiu o partido e contribuiu para a eleição de Álvaro Amaro. Há também quem o acuse – e não lhe perdoe – ter feito «mais oposição ao PS do que a Álvaro Amaro e ao PSD na Guarda», nos últimos anos.
Quanto ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas, Marisa Fonseca sai de cena sem qualquer atividade digna de registo, não tendo sido inclusivamente capaz de mobilizar possíveis candidatas ao lugar. Perante esta situação, a dirigente vai manter-se em funções e será necessário marcar nova eleição, à qual poderá concorrer a atual deputada na Assembleia da República Cristina Sousa.

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