Um olhar sobre 2019

Escrito por Natália Rodrigues

O que esperar de 2019?
O que podemos esperar (e devemos recear) de 2019? O INTERIOR voltou a desafiar personalidades, autarcas, políticos e jornalistas a partilhar a sua opinião sobre o novo ano, bem como as suas aspirações, preocupações e anseios. Nesta edição publicamos os primeiros contributos, mas há mais para ler nas próximas semanas.

Na numerologia a 2019 corresponde o número 3, o que aponta para um ano de grandes acontecimentos, em especial na comunicação. «Todos querem mostrar e ver. Os media e a publicidade serão setores de grande crescimento e importância», segundo os entendidos e, sendo assim, faço votos para que estas previsões se concretizem no jornal O INTERIOR. A limitação de carateres conduziu-me a abordar os assuntos que se seguem, quiçá na expetativa de antecipar sucessos e desejar a não repetição dos insucessos.
Em 2019 teremos as eleições para o Parlamento Europeu e, mais do que nunca, precisaríamos de ter uma União Europeia com capacidade de decisão, mais coesa e integrada, com harmonia fiscal, que possa garantir aos cidadãos e empresas equidade na repartição dos esforços. Injustiça e desigualdade minam a confiança nas instituições, nos governantes e nos partidos políticos. Já Anthony Atkinson, economista inglês que dedicou a sua vida ao estudo da desigualdade, avisava que a desigualdade extrema é incompatível com a democracia.
Sobre o flagelo da corrupção em Portugal, o seu combate deveria ser uma prioridade nacional. São sobejamente conhecidas por todos as várias formas em que se têm materializado estes atos. A enorme opacidade que a tem caracterizado e a enorme delicadeza com que o poder político a tem encarado ao longo da nossa recente democracia, revelam bem a sua real expressão.
Gostaria ainda que o próximo ano trouxesse novidades quanto à ineficiência do Estado. Um Estado que mostrou falhar demasiadas vezes aos portugueses, a níveis quase inimagináveis, nomeadamente na proteção dos cidadãos. Por outro lado, a ideologia política de taxar fortemente empresas e cidadãos para poder atribuir alguns benefícios a quem luta nas ruas, embora popular, produz reflexos a outros níveis que urge repensar.
Gostaria que no Serviço Nacional de Saúde (SNS) a prioridade fossem os utentes e não que fizessem dele um mero projeto ideológico, como um propósito em si mesmo, independentemente de correr bem ou mal. Senão, como se compreende, por exemplo, que se possa “encher a boca” com ele e ao mesmo tempo ver recentemente o Infarmed recusar, a centenas de doentes oncológicos, o acesso a terapêuticas inovadoras, cuja utilização seria a diferença entre a vida e a morte?
Para a região, desejaria que as medidas sugeridas pelo Movimento para o Interior relativas às áreas de política fiscal, educação, ensino superior e ciência e ocupação do território pelo Estado, bem como a criação do POPI (Programa Operacional para o Interior), venham a ser realidades que permitam ir diluindo as vincadas assimetrias do nosso pequeno Portugal. Para os alunos do IPG, gostaria de lhes sugerir uma “tarefa” de final de semestre, que seria ver pelo menos um de entre uma dezena de imperdíveis filmes sobre a matemática, como por exemplo, “A prova” (2005), baseado no livro de mesmo nome, de David Auburn, vencedor do prémio Pullitzer, “O homem que mudou o jogo” (2011), de Michael Lewis, ou “O jogo da imitação” (2015), baseado na história real do génio da matemática e pai da computação Alan Turing, entre muitos outros. Mas mais importante que tudo, aquilo que verdadeiramente vos desejo é que tenham um 2019 com saúde e que possam comprazer-se junto das pessoas de quem mais gostam. Afinal, é este o olhar que mais importa ter. Feliz 2019!

* Docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do IPG

Sobre o autor

Natália Rodrigues

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