Passadiços para Bruxelas

Escrito por Pedro Narciso

A CMTV não necessitou de lançar o inovador concurso “Quem quer casar com um ordenado euromilionário”. Primeiro, porque Marinho e Pinto venceria; e segundo, porque o tabu foi finalmente quebrado. Num lugar de fazer roer de inveja Mota Amaral e imune à coligação da ALIANÇA-CHEGA de RIR, não carecerá de um rio de grande caudal para se eleger. Recordei então uma frase mais batida e inconsequente do que pensamentos de Pedro Chagas Freitas espalhados pelo Facebook: «A Política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha». Mas chatas e com risco são as viagens no IP3. A ética não paga contas e como não se vive eternamente, é melhor ir tratando da vidinha.
No lugar de cada um dos 14.476 eleitores que acreditaram numa “Guarda Confiante”, sentir-me-ia um adepto que vê o ídolo maior do seu clube beijar emocionadamente o emblema da camisola para, em pouco tempo, estar a assinar pelo grande rival. Um jogador que prometeu vitórias, campeonatos e uma cultura europeia, mas que não passou dos belos toques na bola em apresentações apoteóticas, dribles, fintas e simulações. Resultados? Bola…
Começar a campanha sabendo que o distrito onde encabeçou duas Câmaras Municipais por quase 20 anos perde um deputado e apresentando-se como uma mais-valia para a agricultura, onde ela é caquética e continua a definhar, deveria equivaler a dois autogolos em 5 minutos. Já para o “treinador” do PSD são sinónimos de experiência, saber e maturidade. Não espantam, portanto, as odds do Placard para os próximos embates da equipa.
Na repartição correta, a funcionária da Segurança Social que forjou processos de natalidade para recebimento indevido de subsídios já teria feito mais pelo aumento da natalidade do distrito do que o Movimento pelo Interior ou do que os deputados que muito gostam de votar pela manutenção das portagens nas ex-SCUT, pois devem chamar-lhes ajudas de custo. Já com os 40 euros máximos do passe nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o governo combate finalmente as assimetrias, compensando o litoral por não conseguir abastecer no barato gasóleo espanhol.
Rui Rio admitiu, entretanto, fazer queixa à CNE caso o governo continue a fazer campanha pelo PS, com Álvaro Amaro nas suas costas. Ainda julguei que o “Levanta-te e Ri” tivesse uma emissão dedicada a políticos. É que depois das muitas dezenas de cartazes “Guarda Renasce” da responsabilidade da Câmara Municipal, para apresentar meia dúzia de metros quadrados de relva em rolo, ao lado de cartazes da “Guarda Confiante”, só conseguia imaginar Sonia Kel, ex-atriz pornográfica, e pretendente ao “Quem quer casar com o meu filho?”, queixar-se da imoralidade e exibicionismo das suas rivais. Começar do Zero em política também daria um belo programa de domingo ao serão!
Com mais rotundas, menos árvores, mais mamarrachos, menos pessoas, mais festas, menos emprego, mais IMI, menos TIR’s nas ruas, mais ajustes… O diamante continua por lapidar. Porque o legado que fica, não é o de cortar giestas na PLIE, mas fazer a PLIE. Não é pintar o Centro Coordenador de Transportes, é projetar outro. Porque se as contas estão agora equilibradas, assim esperam os guardenses, é também porque pouco foi feito sem qualquer alívio de impostos.
Desengane-se quem pensa ver um deputado europeu de cristal na lapela, comendo Dom Sanchos e embrulhado num cobertor de papa de Maçainhas. O concelho que queimou há pouco o galo, e que poderá agora assistir a uma luta de galos, merece mais. Um verniz pronto a estalar não será com toda a certeza a herança desejada. Mas já diziam os Xutos que De Gouveia a Bruxelas, há uma Guarda de distância, hei de ter um bom lugar, para lá ir com saúde, tenho toda a tolerância, coloquei-a nos radares… E saio Agora, E Vou Correndo, E vou-me Embora, E vou correndo pra ti… Bruxelas!

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Pedro Narciso

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