O estado das coisas

Escrito por Júlio Sarmento

O nosso regime político é constitucionalmente democrático e assim têm funcionado as instituições da República.
Decorre da Constituição que o Estado deve tratar todos os portugueses da mesma forma em todos os domínios. Porém, existem muitos exemplos de que assim não é.
Designadamente, em matéria de emprego. O Estado só emprega uma parte dos portugueses, a quem assegura o salário, a reforma e outras regalias. Os muitos portugueses a quem o Estado não dá emprego só o têm porque os empresários do setor privado investiram e mantêm as suas empresas. São eles que ajudam o Estado porque são eles que fazem o que o Estado não consegue nem pode fazer.
Seria razoável que o Estado reconhecesse quem o ajuda a construir o país. Mas isso não sucede. O Estado, lamentavelmente, esquecido, vai buscar às empresas e à economia privada o dinheiro que necessita para si, mesmo que à custa do sacrifício das empresas.
Porque ao contrário do que pensam muitos à esquerda, não há dinheiro público, todo o dinheiro é gerado através dos impostos sobre a economia, as empresas e os cidadãos em geral.
O extenso rol de “conquistas sociais” que a esquerda diz serem da revolução, são na verdade pagas com o dinheiro que o Estado vai buscar à economia, às empresas e aos portugueses. Sempre que algum líder partidário ou sindical exige nova conquista social, lá sai mais um aumento de impostos para a pagar. E são sempre os mesmos a pagar! Por isso é bem importante controlar a despesa do Estado sem asfixiar a economia.
Sendo isto assim, parece paradoxal, que certa esquerda queira aprisionar o Estado, identificando a defesa de políticas públicas com a defesa do Estado, contra a iniciativa privada, considerando que existe uma luta entre o público e o privado, que divide a esquerda e a direita.
Nada de mais errado. O Estado e o setor privado convergem na construção do país. Como o Estado vai buscar o dinheiro à economia e aos privados, parece fácil aos políticos ceder à tentação de fazer despesa pública com o dinheiro dos outros, mais difícil é às empresas pagar do seu próprio bolso a ajuda que dão ao Estado. Tudo o mais para além disto é política e demagogia!

* Antigo presidente da Câmara de Trancoso e presidente da Assembleia Distrital do PSD

Sobre o autor

Júlio Sarmento

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