O Ano da Máscara (II)

“Muito para além da resiliência habitual, do despovoamento, da necessária correção de assimetrias, expectantes, vamos confiar que 2022 será o ano de uma nova coesão territorial, de um novo futuro, de novas oportunidades para os que teimamos em continuar no interior.”

O ano de 2021 foi o Ano da Máscara. O ano em que resistir à pandemia, ser cuidadoso e andarmos mascarados passou a ser uma inevitabilidade.
E foi também o ano em que, enquanto a maioria confiava na ciência e aceitou e cumpriu as regras da DGS, emergiram muitas opiniões de contestação, de negação da perigosidade do novo coronavírus e de recusa em usar máscara ou optar pelo distanciamento e cuidados promovidos no contexto de saúde pública. Enquanto Gouveia e Melo se afirmava como a personalidade do ano em Portugal, admirado e venerado por muitos, outros protestavam (por todo o mundo ocidental e também em Portugal) por uma suposta redução de direitos e garantias, pelo controle de liberdades e proibição de livre circulação. Contra a ciência e em defesa de um estranho obscurantismo, houve (e há) quem não queira aceitar que a vacinação e as diretrizes são o caminho. Entretanto, confirma-se que aqueles que recusaram a vacinação são os que ficam mais fragilizados em caso de infeção e entopem os cuidados intensivos dos hospitais, com custos elevados a todos os níveis…
Convenhamos que, muito mais efetivo do que vacinar as crianças, seria colaborar na vacinação global. Isto é, sem a vacinação generalizada, em todos os continentes, não será possível evitar a propagação da pandemia, e mesmo com a população ocidental toda vacinada, haverá sempre o medo ao contágio e à propagação de novas variantes do vírus. É o que está a suceder, é o que continuará a suceder enquanto não houver solidariedade mundial, menos egoísmo do ocidente e mais colaboração com os países mais pobres.
Como aqui destacámos na edição de 30 de dezembro, 2021 foi também o ano em que Ana Mendes Godinho, Ana Abrunhosa, Joaquim Brigas, Mário Raposo, Rui Costa e Sérgio Costa foram as Personalidades do Ano nas Beiras e Serra da Estrela. Não duvidamos que, qualquer deles, merece o epíteto de personalidade do ano. Foram, com destaque, pessoas que no exercício da sua atividade se destacaram e merecem o aplauso público e reconhecimento por isso.
E foi também o ano em que iniciámos um novo caminho na comunicação social regional. A 31 de março assumi a direção da Rádio Altitude, a mais antiga rádio local portuguesa e a segunda emissora mais antiga do país em atividade. Como então sublinhei, «é esse património de afetos, essa presença na nossa vida, na nossa memória e na história da cidade da Guarda e da região que fazem da Rádio Altitude muito mais do que uma estação emissora. São 73 anos de sentir e viver com a voz ou a companhia especial de algo que “é nosso” e que nos transmite novidades e emoções há dezenas de anos como ninguém». Todo um património imaterial e uma referência memorável da Guarda e da região.
Num tempo de dúvidas e dificuldades, a meio de uma pandemia, em que, gerir na carência está ao alcance de poucos, tentamos promover as sinergias de uma rádio antiga que se quer renovar e manter a sua identidade regional de referência e um jornal que cresceu e se afirmou em 20 anos como uma das marcas de maior notoriedade regional. Em conjunto, procurámos desenvolver um novo caminho, promover a cultura e a imprensa livre, determinantes numa democracia em que a liberdade de imprensa, a pluralidade de opinião, de crítica e de informação estão asseguradas entre o Jornal O INTERIOR e a Rádio Altitude.
O ano que terminou foi um ano difícil, mas foi também um ano de grandes desafios, de inovação e de novas oportunidades para todos. Como explica em entrevista que publicamos nesta edição Ana Abrunhosa, existem muitos e bons argumentos para acreditar no futuro do interior.
Muito para além da resiliência habitual, do despovoamento, da necessária correção de assimetrias, expectantes, vamos confiar que 2022 será o ano de uma nova coesão territorial, de um novo futuro, de novas oportunidades para os que teimamos em continuar no interior. Votos de Próspero Ano Novo.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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