Lamarck, o primeiro evolucionista

Escrito por António Costa

Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, cavaleiro de Lamarck, nasceu a 1 de agosto de 1744 numa vila do Norte de França, no seio de uma família nobre e militar. O último de onze filhos teve uma infância associada às penurias económicas que colidiam com um nome de longa tradição aristocrática.

Em jovem, Lamarck iniciou os seus estudos no seminário jesuíta para depois os abandonar e se alistar no exército francês.

Uma doença pôs fim à sua carreira militar e Lamarck passou a trabalhar num banco em Paris, ao mesmo tempo que crescia o interesse pela botânica. Começou nessa altura os estudos de Medicina, que deixou inacabados, e dedicou-se finalmente ao estudo da história natural. Em 1778, depois de alguns anos como estudante no Jardin du Roi, publicou “Flora Francesa”, com o apoio de George-Louis Leclerc, conde de Buffon, um dos mais destacados cientistas franceses do momento. Depois do seu casamento e do nascimento dos seus três primeiros filhos, Lamarck foi designado responsável do Jardin du Roi, o jardim botânico mais importante de França, situado em Paris. Também trabalhou no Museu de História Natural da mesma cidade e foi nomeado membro da Academia Francesa de Ciências. Sob a sua direção, o nome do Jardin du Roi mudaria para o menos politizado – e até hoje vigente – Jardin des Plantes.

Um dos momentos mais decisivos na carreira de Lamarck foi talvez a sua nomeação como curador do departamento de invertebrados no Museu de História Natural, do qual o Jardin des Plantes era só uma parte, porque ali encontrou material para a publicação da sua “Filosofia Zoológica”, de 1809, onde mais claramente expôs o seu pensamento sobre a evolução.

A sua teoria da hereditariedade dos caracteres adquiridos – também chamada “Lamarckismo” – defendia que as mudanças fisiológicas que os organismos adquiriam em vida podiam transmitir-se à sua descendência. Esta teoria antecipou-se em 50 anos à tese revolucionária de Darwin: «(…) as variações nas circunstâncias para os seres vivos, e sobretudo para os animais, produzem mudanças nas suas necessidades, nos seus hábitos e no nosso modo de existir, e se estas mudanças são lugar a modificações ou desenvolvimentos nos órgãos ou na sua forma, deve inferir-se que insensivelmente qualquer corpo vivo deve variar na sai forma ou caracteres exteriores, embora tais variações só cheguem a ser visíveis após um tempo considerável(…)».

Verdadeiro apaixonado pela sua disciplina, foi também altamente controverso. Muitos consideravam-no um pensador solitário e foi talvez devido a isso – ou porque a suas teorias não tinham a necessária fundamentação – que a sua teoria da evolução não teve um bom acolhimento.

Embora as duas ideias nunca fossem bem recebidas e tivesse de lutar contra a pobreza até aos últimos dias da sua vida, Lamarck passou à história da Ciência como um pensador revolucionário que desafiou o poder monárquico e clerical da sua época.

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António Costa

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