Comemorar o 25 de Abril é celebrar a democracia

As comemorações do 25 de Abril devem ser na Assembleia da República.

Com surpresa, cinco semanas depois de termos entrado em estado de emergência, e enquanto a generalidade dos portugueses continua de prevenção e confinados por causa do Covid-19, a discussão é à volta das comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República. Ora, se o parlamento esteve sempre a funcionar, e muitas vezes com mais deputados do que o estabelecido pelo plano de contingência, não seria razoável que no dia 25 de abril não pudesse ser a sede das comemorações da Revolução. Depois de 90 por cento do parlamento votar favoravelmente a forma de comemoração tudo o que se diga é em vão e absurdo.
Sendo certo que as entidades de saúde nos dizem todos os dias que temos de ficar em casa, todos os dias milhares de portugueses têm de sair, no exercício da sua profissão, na realização do seu trabalho. É assim também com os deputados que, diariamente têm a obrigação de legislar e vigiar, e naturalmente também devem participar na sessão solene de data tão relevante para o país e para a maioria dos deputados.
As comemorações do 25 de Abril devem ser na Assembleia da República. E, como disse Catarina Martins, «não se trata de abrir o parlamento para festejar. Trata-se de não o fechar no dia em que se assinala a democracia».
Mas é de facto errado que haja tantos convidados, que não se dê o exemplo de confinamento e de distanciamento social (impossível com centenas de pessoas no parlamento – onde normalmente há, entre deputados, jornalistas e funcionários, cerca de 700 pessoas) – ainda que nesse dia haja menos deputados. Por isso, em vez dos 77 deputados aprovados esperemos que alguns fiquem em casa; que em vez dos 53 convidados estejam presentes apenas alguns (Jorge Sampaio, e bem, já disse que não irá seguindo as recomendações da DGS; entende-se que, pelo contrário, Ramalho Eanes tenha confirmado a sua presença, ele que foi um dos militares de Abril e antigo Presidente da República). E aceita-se que outras pessoas considerem um direito (ou mesmo uma obrigação) assistirem à cerimónia. Mas também se aceita o seu restringimento à representação mais formal das instituições e à representação partidária mínima. O presidente da Assembleia da República deveria ter sido o primeiro a sugerir umas comemorações moderadas, e teria evitado uma polémica estéril. A democracia deve ser celebrada e o 25 de Abril deve ser devidamente comemorado, a casa da democracia não fechou até agora, nem seria aceitável que fechasse no “seu” dia, mas, com a solenidade possível, devem assumir-se todas as precauções e cumprir as regras sanitárias e ter uma assistência reduzida.
2. Neste tempo de crise, a voragem informativa e a necessidade das pessoas se manterem informadas, mesmo estando confinadas, deu maior relevância à imprensa no dia a dia dos cidadãos. Os jornais são o baluarte da informação responsável e séria. O Jornal O INTERIOR, apesar das muitas dificuldades e constrangimentos, comuns a tantas outras atividades, tem procurado manter a sua ligação aos leitores através dos diferentes suportes.
Curiosamente, e enquanto alguns pontos de venda estão encerrados, nos que estão abertos houve um claro crescimento das vendas, um aumento de assinaturas (de pessoas que ficam em casa e assim podem receber semanalmente o jornal) e houve um crescimento exponencial de utilizadores no site de O INTERIOR.
Em março, de acordo com a Google Analytics, ointerior.pt teve um crescimento de 207% tendo 260 mil utilizadores em 465.818 sessões (em fevereiro houve 127.729). Ou seja, cerca de nove mil pessoas todos os dias se informaram através de Ointerior.pt.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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