Barómetro social de junho de 2019: desemprego – idades, habilitações, causas e colocações – no Continente, Centro e municípios do Interior

Apesar da precariedade do emprego em todo o país e nas suas ‘regiões’ com níveis salariais baixos e empregos pouco duradouros, a verdade é que estamos a atravessar um boom de emprego com uma taxa nacional de desemprego a rondar os 6.6% taxa não sonhada há ainda muito pouco tempo. As regiões têm o mesmo perfil de emprego em termos de estrutura que o país. Os concelhos apresentam algumas oscilações estruturais – variando consoante o género, a idade, as habilitações, as causas do desemprego e até a facilidade com que arranjam novo emprego – entre eles.
No Continente português e em maio passado o desemprego ainda que relativamente baixo (%) afetava ainda 282292 pessoas das quais 44% eram homens, 56% mulheres, 56% estavam inscritos há menos de um ano, os restantes 44% há mais de um ano, 10% procuravam o 1º emprego contra 90% que procuravam outro emprego. No mesmo período na R. Centro havia 41451 desempregados, dos quais 45% eram homens, 57% estavam desempregados há menos de um ano, 43% há mais de um ano, 12% procuravam o 1º emprego e 88% procuravam novo emprego. Da comparação destes valores se conclui que há mais desempregados homens na região centro do que no país (+0.87%), que há mais mulheres desempregadas no Continente do que na R. Centro, o desemprego de curto prazo é maior no Centro que no Continente (+1.18%), o desemprego de longo prazo (>1 ano) é maior no Continente do que no Centro, o desemprego jovem é maior no Centro (+2.24%) e o outro desemprego é maior no Continente.
No interior da R Centro é o concelho de Viseu que tem maior desemprego (2764) contra 1472 da Covilhã, 1436 de C. Branco e 1212 da Guarda. Vem depois o Fundão 857, Seia 641, Mangualde 568, Gouveia 406 e Nelas 374. Os valores dos concelhos mais rurais são, como é de esperar, muito menores.
O concelho com mais homens desempregados (em %) é C. da Beira com 56%, seguido de Seia e Penamacor com 52%, cada, depois Almeida 51%. Ainda acima da média nacional temos C. Branco 48%, Covilhã e Fundão 47% cada e Guarda 46%. Nos concelhos de Meda, Pinhel, FCR, Mangualde, Nelas, Proença, Sabugal e Trancoso há menos Homens desempregados do que no Continente.
As mulheres desempregadas predominam e estão acima da média nacional em FC Rodrigo, Mangualde, Meda, Nelas, Pinhel, Proença, Sabugal e Trancoso. Nos concelhos de Mangualde, Nelas, Pinhel, Trancoso, Seia, VV Ródão e Viseu predominam as pessoas que andam há menos de um ano à procura de emprego (e com valores acima da média nacional).
O desemprego de longa duração (e acima da média nacional), predomina nos restantes concelhos do interior que são a maior parte, com destaque para Penamacor com + de 60%, e Almeida, C. Branco, C. Beira, FC Rodrigo, F. Algodres, I-a-Nova, Manteigas, Proença-a-Nova, e Seia com mais de 55%.
O desemprego jovem predomina nos concelhos de Almeida (22%), e nos de VV Ródão (19.4), Trancoso (19.3), Sabugal (18.7%), FCR (17.5%), C. Beira (17.3%) e F Algodres e I-a-Nova ambos com 17.1%. Em C. Branco (10.7%), Covilhã (12.4%), Viseu (13.4%) e Guarda (16%), este tipo de desemprego tem menos impacto.
Por faixas etárias o desemprego apresenta-se maior (em %) tanto no Continente como na R. Centro a faixa dos 35-54 anos, a mais ampla, com 42% e 40%, resp, segue-se a faixa etária 55-64 anos com 30% e 29%, resp., a dos 25-34 com 18% e 19%, resp., e a faixa dos menores que 25 com 10% e 12%, resp..
Os concelhos com menor percentagem de jovens à procura de emprego são Belmonte 9.5%, CB 8.6%, Covilhã 8.6%, Meda 7.1%, Penamacor 9.5% e Sabugal 9.3. Com mais % de jovens temos F. Algodres 20%, VV Ródão 19.4%, Gouveia 18.2%, Mangualde (17.4%), Manteigas 16.9% e Pinhel 16.8%.
VV Ródão com 38,8% é o concelho com mais desempregados mais envelhecidos (com mais de 55 anos). Seguem-se o Fundão 37,5%, Idanha 36,4%, Covilhã 35,8%, Almeida 35,6%, Penamacor 34,9%, C Beira 33,0%, CB 32,7% e Mangualde 30,5%, todos acima do Continente nesta faixa etária. Os restantes concelhos estão abaixo do Continente. A R. Centro 29.3% está abaixo dessa média e Viseu também (27.5%). Os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo 27,0%, Guarda 22,7%, Sabugal 22,4%, Almeida 21,2%, Trancoso 21,1%, Celorico da Beira 20,5% e Castelo Branco 20,5% são os concelhos com mais desempregados da faixa etária dos 25 aos 34 anos (%). Por sua vez Manteigas 50,6%, Nelas 46.8%, Meda 46,4% Sabugal 42.5%, Fornos de Algodres 42,4%, Belmonte 41,6%, Penamacor 41,4%, Guarda 40,6% e Viseu 40,4% são os conselhos que têm mais pessoas desempregadas em idade madura (35-54 anos).
Por níveis de escolaridade são as pessoas habilitadas com o secundário (12º ano, 26.7%) e o 3º ciclo EB (9º ano, 19.6%) as que se apresentam com mais desempregados no continente seguidas do 2º (14.5%) e 1º ciclos (17.9%) do EB. Os níveis habilitacionais que têm menos desempregados em termos relativos são o superior (14%) e o inferior ao 1º CEB (7%). Na R Centro a situação é mais ou menos a mesma com 8,70% (<1 CEB), 15,71%(1CEB), 12,86%(2CEB), 20,25%(3CEB), 26,71% (Sec), 15,77% (Superior). Os concelhos que têm mais desempregados com menos habilitações (<1) são I-a-Nova 22%, Sabugal 19, C. Beira 16 e FC Rodrigo 15. Os concelhos com mais desemprego de nível superior são por ordem decrescente Pinhel 23%, Guarda 19.1%, Trancoso 18.7%, e Almeida 16%. Outras curiosidades: na Covilhã, Guarda e C Branco predominam os desempregados com o secundário enquanto no Fundão e Sabugal predominam os do 1ºCEB e Seia o 3ºCEB.
No Continente (R. Centro) o nº de desempregados inscritos em maio foram 36209 (5651 na RC), 44% Homens e 56% Mulheres. Por sua vez também para o Continente (RC) foram colocados 7496 (1969 na RC) 44% homens (46% na RC) e 56% mulheres (54% na RC). Nos municípios estes valores variam de caso para caso: por ex. em CB dos 180 desempregados do mês 72 eram homens e 108 eram mulheres conseguiram emprego 68 pessoas, 29 H e 39 M; na Covilhã dos 230 registados em maio 110 H e 120 M arranjaram emprego 129 dos quais 60 H e 69 M. No Fundão 91 desempregados, 29 H e 62 M, dos quais 44 conseguiram emprego, 14H e 30M; na Guarda nos 138 desempregados havia 57 H e 81 M, dos quais 85 foram empregados, 41 H e 44 M. Dos 16 desempregados registados no Sabugal eram 5H e 11M quase todos foram empregados (15), 8 H e 7 M. Por fim, em Viseu houve 428 novos desempregados, 198 H e 230 M mas só conseguiram emprego 163 dos quais 81 H e 82M.
Dos 36 209 desempregados registados em maio no Continente (5651 na RC) 41% foram desempregados por fim de trabalho não permanente (39%), 12% foram despedidos (10% na RC), 9% eram ex-inativos (10% na RC), 6% despediram-se (9% na RC), 4% despediram-se por mútuo acordo (3% na RC), 1% era trabalhador por conta própria (1% na RC) e 27% por outros motivos (28% na RC). O número de desempregados de maio e as causas do desemprego podem ver-se no quadro seguinte para alguns dos municípios do interior:
Face ao panorama atual do desemprego no país é imperioso atrair empresas que criem empregos mais qualificados, em particular no interior, é preciso subir os seus níveis salariais e combater a precariedade do emprego, principalmente entre os mais jovens. Sem isso o país não tem futuro, as suas regiões e municípios definham… e os jovens formados em Portugal irão enriquecer outros países e até outras regiões já mais favorecidas… e, para usar linguagem futebolística, a “custo zero”, se bem que com custos sociais muito graves para os próprios e suas famílias.

* Prof. Catedrático. Universidade da Beira Interior. Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico.

Sobre o autor

José Ramos Pires Manso

Deixar uma resposta