A “crise” que mudou o mundo

Escrito por Jornal O Interior

A “crise” que se “abateu” no nosso dia-a-dia, o coronavírus (Covid-19), parou quase tudo, mudou o mundo. Estes últimos acontecimentos, que surgiram de repente e alteraram completamente as nossas vivências, obrigam a encarar a vida com outra importância. Se a nível económico as mudanças são graves e impreteríveis, a nível social as mudanças vão condicionar a forma como vivemos, o nosso lazer, a maneira como nos relacionamos…, fatores que influenciam a nossa felicidade. Podemos aproveitar este tempo para PARAR e PENSAR.
O nosso dia era vivido como se 24 horas não chegassem. A rigidez dos horários profissionais não dava espaço à necessária vivência do ser humano, fazendo com que se perdessem os laços de ligação familiar e de relação social.
Esta forma de vida, sem tempo para dialogar, para ver os filhos crescer, relegando para segundo plano as relações de afetividade e a transmissão de valores importantes para um desenvolvimento humano saudável, reflete-se na dificuldade que as famílias estão a sentir em passarem 24 horas juntas.
Aquilo que deveria ser a normalidade, passar tempo de ócio e lazer em família, está a ocasionar momentos de stress e ansiedade, pois a azáfama de preencher o quotidiano com atividades não permite desenvolver a criatividade e despertar a imaginação.
Sem soluções para ocupar as suas crianças, algumas famílias continuam a querer delegar na escola a ocupação e a formação dos jovens. Também as escolas, por terem consciência das dificuldades das famílias ou pela preocupação em continuar o processo educativo, disponibilizam, agora à distância, atividades para os jovens realizarem em casa.
No entanto, esta pandemia veio evidenciar o fosso social que existe na sociedade. Nem todas as famílias ou instituições têm as mesmas condições de vida, recursos ou oportunidades. Para todos poderem ter as mesmas condições de evoluir como seres humanos é necessário criar as mesmas oportunidades para todos. Esta é a premissa que vai ter que ser analisada e refletida pelos nossos governantes. É necessário e, como prova esta pandemia, urgente repensar estratégias para melhorar a qualidade dos serviços prestados.
Enquanto a igualdade de oportunidades não é uma realidade, cabe às famílias o papel fundamental de formar os nossos jovens e, neste contexto de adversidade, por que não dar autonomia às crianças para que desenvolvam a criatividade e libertem a imaginação, permitindo-lhes criar as mais variadas, e úteis, competências, desde tarefas domésticas (cozinhar, fazer arrumações), experiências particulares (fazer desporto, escrever, construir legos) e organizar os seus momentos de ócio e lazer (jogar, ler, ver televisão, ouvir música).
Não se deve esquecer que todas estas atividades podem constituir momentos de convívio em família. Criem os vossos mundos, criem as vossas dinâmicas…
Aproveitem para socializar com os vossos filhos, para brincar e fazer as conexões familiares necessárias. As relação e interações humanas são intrínsecas ao ser humano.

Ricardo Pocinho e Bruno Trindade, investigadores

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