2020

Recuperar a qualidade dos serviços públicos de saúde e da educação são uma missão possível

Quando chegamos ao fim-de-ano fazemos o balanço e olhamos para o ano seguinte com novas expetativas. Este final de ano, é também fim de uma década, a segunda do novo século e do novo milénio.
Ficar a olhar para trás, não é propriamente a minha eleição, prefiro focar-me no futuro, programar o novo ano e pensar em novas conquistas – vivemos um tempo extraordinário de mutações constantes e em que o devir vai muito para além de qualquer previsão ou antevisão. Mas também um tempo de crise, com todas as contingências e dificuldades inerentes.
Um tempo em que o mundo volta a ser perigoso, pelos extremismos e fanatismos; pelos líderes populistas e radicais que não olham a meios para atingir os fins; pela novas circunstâncias de oposições entre as maiores potências, em que Trump arrasa com toda a construção de concórdia e paz, em que a China emerge como a grande potência económica ou em que a Rússia de Putin, mais pequena e frágil, mas com uma apetência de grandiosidade que parece que recuámos mais de 100 anos. E também um tempo em que a sustentabilidade tem de ser uma prioridade, em tudo, desde logo em relação ao meio ambiente.
O ano de 2020, a nível mundial, terá como protagonismo, nomeadamente, a pegada ecológica e a reeleição ou não de Trump para a presidência dos EUA. A nova ordem mundial vai depender disso.
A nível nacional, e com o superavit a fazer história – deveria ser assumido para reduzir uma das maiores dívidas mundiais – teremos de investir nas pessoas, e em especial na função pública envelhecida, cansada e cujos serviços passaram a ser ineficientes. Recuperar a imagem e a qualidade dos serviços públicos de saúde e da educação são uma missão possível.
Regionalmente, 2020 tem de ser um ano de recuperação da autoestima, mas para isso tem de haver investimento público qualificado no interior. A expetativa é enorme e Ana Abrunhosa terá de mostrar em pouco tempo a capacidade de implementar medidas urgentes, para estancar o despovoamento.
Em retrospetiva, a década passada fica marcada a nível nacional pela austeridade imposta pela Troika, pela corrupção, pela queda do império Espirito Santo, pela morte da maior empresa portuguesa, a PT, pelo processo contra José Sócrates, pela morte de Mário Soares, pelos mais de 20 mil milhões que o Estado teve de “pôr” na banca, mas também pelas “selfie” e a simpatia de Marcelo Rebelo de Sousa. Uma década em que o Centro de Portugal ficou abandonado na luta contra o fogo, em que morreram mais de cem pessoas, pela fuga de milhares de portugueses que emigraram, pela chegada do turismo de forma massiva, pela capacidade de uns poucos motoristas pararem o país e pela falta de qualidade média dos nossos políticos.
Na região, o protagonista da década foi Álvaro Amaro, que depois de presidir seis anos à Câmara da Guarda foi para Bruxelas. E também Américo Rodrigues que depois de ser “despedido”, precisamente por Álvaro Amaro, foi nomeado Diretor Geral das Artes.
Pela negativa, destacar o encerramento e abandono do Hotel de Turismo – assunto que em 2020 tem de voltar a ter protagonismo – e as portagens que incomodam todos os beirões.
Votos de um próspero Ano Novo, num ano em que este jornal completa 20 anos e que, queremos acreditar, será o melhor ano das nossas vidas.

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

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