Cara a Cara

«Este ano é decisivo para a continuidade da Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas»

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Escrito por Efigénia Marques
P – Como está a Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas no início deste ano letivo? R – Apesar de ter aprovados três cursos pela DGEstE, de Técnico de Receção, de Restaurante/Bar e de Técnico de Cozinha/Pastelaria, a Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas (EPHM) tem apenas este último em funcionamento, não tendo havido inscrições para os restantes. Estão matriculados nesse curso profissional 38 alunos, distribuídos pelos três anos letivos (39 por cento no 1º, 32 por cento no 2º e 29 por cento no 3º). A EPHM assume-se como organismo vivo e multicultural, sendo composta neste momento por 55 por cento de alunos nacionais, 36 por cento são-tomenses, 3 por cento franceses, búlgaros e ucranianos. Projetamos este ano como sendo decisivo para a continuidade desta escola. Este acreditar prende-se com os novos projectos (ainda não tornados públicos) que o atual executivo municipal de Manteigas tem para a EPHM. Sendo uma escola que se localiza no interior, numa região de baixa densidade, padece de alguns constrangimentos. O caso mais preocupante é, sem dúvida, o da dificuldade dos alunos chegaram até a esta escola, obrigando a uma gestão da atividade letiva que liberta a tarde de sexta-feira para que os alunos possam apanhar o último transporte que os leve até às suas residências. A dificuldade é ainda maior aos domingos, dias em a que a vila não é servida por qualquer transporte público. O município está neste momento a envidar esforços para encontrar uma solução para este problema. P – Há falta de alunos ou, pelo contrário, mais estudantes a procurar a vossa escola? R – Como já foi referido estão matriculados na EPHM 38 alunos. Temos capacidade para diplomar mais jovens; no entanto esta escola vive um problema que não é só seu, mas que é de todas as escolas, como é a falta de alunos. Acrescentemos a esta situação o facto de as escolas do ensino público ministrarem cursos profissionais no âmbito da hotelaria, bem como as fracas acessibilidades e ainda o facto de os jovens de Manteigas ambicionarem uma experiência educativa num meio urbano, e temos reunidas algumas explicações para a redução de alunos matriculados na EPHM. P – Já chegaram os alunos de São Tomé e Príncipe? R – Os que estão matriculados no 1º ano ainda não se encontram na escola. À semelhança dos anos anteriores, têm muitas dificuldades em obter vistos e iniciarem o ano letivo na data estipulada. Apesar de virem mais tarde, estes alunos têm possibilidade de recuperar as aprendizagens, fruto de um acompanhamento dos professores, feito em aulas de reposição, nas quais lhes são administrados instrumentos pedagógicos para superar as dificuldades. P – A Escola tem sido abordada pelas empresas do setor a pedir trabalhadores? R – Diariamente recebemos contactos de diversas unidades hoteleiras a solicitar alunos, ou para fazerem extras ou para integrarem as suas equipas de trabalho. Posso acrescentar que a procura é manifestamente superior à oferta. P – Qual é a taxa de integração no mercado de trabalho dos alunos da Escola de Hotelaria de Manteigas? R – Este ano letivo a taxa de integração foi de 100 por cento, assim como a de sucesso escolar. Nos anos anteriores alguma percentagem dos nossos alunos seguiu para o ensino superior. É muito fácil para estes jovens entrarem no mercado de trabalho porque durante o curso realizam três formações em contexto de trabalho, vulgarmente designados por estágios. Esta experiência formativa possibilita um reconhecimento das competências dos nossos alunos por parte das entidades de acolhimento, levando-os a contactá-los para integrarem as suas equipas de trabalho. P – Como é que a tragédia dos fogos deste Verão afetou a Escola? R – Felizmente, de forma direta, não afetou a escola. Não obstante estes incêndios constituem-se como uma tragédia a nível local e nacional. Os Invernos são rigorosos e esperam-se consequências graves. P – Que projetos tenciona implementar este ano? R – Dar-se-á seguimento aos implementados e que constam no plano de atividades, como os projetos Eco-Escolas e EQAVET (Quadro de Referência Europeu de Garantia da Qualidade para o Ensino e Formação Profissional). Continuaremos com as boas práticas, desenvolvendo a componente de Cidadania e Desenvolvimento, e um trabalho muito estreito com a nossa equipa EMAEI (Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva), possibilitando que todos os alunos aprendam, independentemente das suas dificuldades. De resto, ao longo do ano vão surgindo projectos/eventos em parceria com as entidades locais e regionais aos quais não deixamos de responder proactivamente. _______________________________________________________________________

MARIA AUGUSTA DOS SANTOS PIRES PEREIRA

Diretora da Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas Idade: 56 anos Naturalidade: Guarda Profissão: Professora Currículo: Licenciatura e bacharelato em Gestão Informática pelo Instituto Politécnico da Guarda; Professora profissionalizada pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco; Técnica de contas desde 1996; Formadora; Professora desde 1998 na Escola Profissional de Hotelaria de Manteigas, cuja direção assumiu a 1 de outubro de 2019. Livro preferido: “100 anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez Filme preferido: “A vida é bela”, de Roberto Benigni Hobbies: Ler

Sobre o autor

Efigénia Marques

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