Cara a Cara

«É muito difícil existirem ofertas de emprego suficientes e suficientemente atrativas para os jovens da região se fixarem»

Escrito por Jornal O Interior

Entrevista a Pedro Gonçalves, o guardense de 26 anos que é agora Digital Designer da Rádio Comercial.

P – É o novo digital designer da Rádio Comercial. O que faz?
R – A função da nossa equipa é criar e gerir os conteúdos que passam para o online. Estes conteúdos são transversais a múltiplas plataformas, site, app, redes sociais, canal de youtube… É uma área que está a evoluir a uma velocidade incrível e onde temos que estar na vanguarda! É muitíssimo importante a forma de comunicar, principalmente para um público tão alargado como o da Rádio Comercial. É um trabalho diário de “brainstorming” que nos faz criar conteúdo de interesse e isso é muito desafiante! Temos que ir ao encontro das pessoas e proporcionar-lhes diversão, entretenimento e torná-las parte da equipa!

P – O futuro dos media são as redes sociais e as potencialidades da Internet? Como se pode tirar melhor partido dessas ferramentas?
R – Sem dúvida! Se à partida a Internet aparentava ser uma potencial ameaça para a sobrevivência dos media, agora vemos que se verifica precisamente o contrário! A Rádio Comercial é um dos exemplos ideais. O online é parte integrante deste sucesso e é de louvar a preocupação e adaptação que começou a existir desde cedo. Agora, para além dos programas de antena estarem online, temos muito conteúdo a ser produzido exclusivamente para a web. Os “podcasts” e os “videocasts” estão a ganhar uma força inacreditável e, mais uma vez, temos uma oferta cheia de qualidade para todos os gostos. Cinema, futebol, “storytelling”, viagens, entrevistas, música, são alguns dos temas e temos uma aposta cada vez maior que se está a revelar um sucesso.
Todos os dias chegamos a milhões de pessoas que nos ouvem, veem e participam! Conseguimos trazer as pessoas para dentro do estúdio e fazer com que se sintam parte desta maravilhosa equipa. O número de Whatsapp que permite que os ouvintes participem no programa, as sondagens nas redes sociais, a caixa de mensagens do Facebook, o conteúdo de vídeo, tudo isto aproxima a rádio e o público de uma forma que, há uns anos, seria impensável. Uma das coisas que me fez aceitar este desafio foi precisamente as pessoas para quem comunicamos diariamente. O “feedback” positivo é deveras gratificante e dá-nos ainda mais motivação para fazer mais e melhor.

P – Como surgiu esta oportunidade?
R – Surgiu online, claro! E através do LinkedIn. Sempre gostei de ter a minha presença online atualizada, no meu site, no currículo e no LinkedIn, onde conheci a Joana Baptista, que é a Digital Manager da Rádio Comercial. Depois de termos conversado, trocado opiniões e métodos de trabalho, fui convidado para integrar a equipa!

P – Trabalhou na região, mas acabou por sair para Lisboa. Acha que essa é a sina de grande parte dos jovens? Porquê?
R – Trabalhei vários anos na Guarda e sempre adorei, inclusive fui paginador do jornal O INTERIOR! Aprendi muito na ADSI, tendo em conta que foi o meu primeiro contacto com o mundo do trabalho, trabalhei com grandes profissionais e pude desenvolver conhecimentos em várias áreas. Depois fui para a Plataforma Jota, onde cresci imenso como profissional e como designer. Tive oportunidade de trabalhar com várias empresas nacionais e internacionais, o que se revelou ser crucial para o desenvolvimento de novas aptidões. Também criei grandes amizades e muitos conhecimentos dentro e fora da área profissional. No entanto, é muito difícil existir oferta suficiente e suficientemente atrativa para os jovens da região se fixarem. As grandes marcas, os grandes projetos, estão em Lisboa e no Porto e é algo que requer medidas drásticas! Grande parte dos jovens ambicionam poder trabalhar numa empresa reconhecida a nível nacional ou internacional e infelizmente são poucos os exemplos que existem na região. Temos cada vez mais profissionais altamente qualificados e cheios de vontade de trabalhar, que são obrigados a deslocar-se para os grandes centros devido à falta de oferta.

P – O que falta nas empresas da região para segurar os jovens quadros formados na UBI e nos politécnicos?
R – Acho que a grande questão não é “o que falta nas empresas da região” mas sim “o que falta na região”! As boas condições que uma região proporciona refletem-se à posteriori nas empresas. Faltam mais empresas, falta concorrência, faltam clientes, falta inovação, faltam vias rodoviárias acessíveis, mas sobretudo investimento! Tendo em conta a quantidade de gente que a região perde por mês, considero urgente que se tomem medidas drásticas de forma a inverter este acontecimento.

Perfil de Pedro Gonçalves:

Digital Designer da Rádio Comercial

Idade: 26 anos

Currículo: Licenciatura em Design Multimédia na Universidade da Beira Interior, designer na ADSI, “lead designer” na Plataforma Jota e “digital designer” na Rádio Comercial (percurso completo em www.pedrog.pt)

Livro preferido: “Papillon”, de Henri Charrière

Filme preferido: “Beleza Americana”, de Sam Mendes

Hobbies: (não especifica)

Sobre o autor

Jornal O Interior

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