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Topos de gama continuam a ter procura no distrito

Em tempos de crise, só a Mercedes já vendeu 34 automóveis desde o início do ano

Parece que “a crise quando nasce não é mesmo para todos”. Em época de dificuldades económicas generalizadas, os automóveis topos de gama continuam a ser bastante procurados no distrito da Guarda e o decréscimo de vendas está longe de acompanhar a tendência verificada nas viaturas mais baratas.

Só a Finiclasse, concessionário da Mercedes para os distritos da Guarda e Viseu, já vendeu desde o início do ano, na Guarda, 34 automóveis, 23 em Janeiro e 11 no actual mês de Fevereiro, que ainda vai a meio. Numa altura em que as dificuldades económicas afectam grande parte da população portuguesa, «as viaturas mais vendidas têm um preço a partir dos 48 mil euros». O administrador Francisco Fernandes diz mesmo que as transacções de carros mais baratos são «residuais», garantindo que, «apesar da crise económica que assola o país e o mundo», a empresa que dirige não sentiu «nenhuma quebra face aos meses homólogos de 2008». De resto, os carros de gama média-alta, a partir dos 60 mil euros, têm procura e mesmo os de 120 ou 130 mil euros «continuam a vender-se». O empresário assegura que os «topos de gama não são afectados pela crise», até porque «quem podia no ano passado, pode este ano e vai poder comprar no próximo».

Um dos factores apontados para esta situação é a maior facilidade de terem «crédito disponível», sendo que o sector automóvel «não mexeu muito nos spread’s». Por outro lado, «como não há grande confiança na banca, quem tem dinheiro opta por investir em bens materiais», considera. Já em 2008, quando comparado com 2007, a Finiclasse não sentiu quebra nas vendas, ao contrário do que sucedeu com a marca germânica a nível nacional, que registou uma diminuição de cerca de sete por cento. Outras marcas que não estão ao alcance de todas as bolsas do distrito, pelo menos os modelos mais caros, são a Audi e a Volkswagen que tiveram uma redução nas vendas de 23 e 27 por cento, respectivamente, quando se compara Janeiro de 2008 com o mês homólogo deste ano. Ainda assim, longe dos «43 por cento» verificados nas vendas de automóveis novos no país. Crespo de Carvalho, administrador do concessionário Egiquatro, constata que as «marcas “premium” se aguentam melhor», revelando que, em Dezembro, houve «um aumento significativo» de vendas nas duas marcas alemãs.

De resto, o distrito da Guarda «ainda não está a sentir a tendência que se verifica a nível nacional», salientando que «a gente endinheirada é aquela que sente a crise em último lugar». O empresário revela ainda que tanto os Audi A8, que custam perto de 100 mil euros, como os Volkswagen Passat (entre 40 a 50 mil), «se têm vendido», reforçando a ideia de que «é mais fácil vender um carro mais caro do que um mais barato». Já a Matos & Prata, empresa concessionária da BMW para o distrito da Guarda, está a sentir no início deste ano «muita falta de clientes», isto apesar da marca alemã ter constantemente «produtos novos e mais apetecíveis» para os “amantes” de bons automóveis, sublinha o administrador José Prata. Ainda assim, não obstante «ser líder no sector» e de 2008 ter sido um ano com boas vendas, em especial nos diesel, o concessionário da Guarda debate-se com uma redução de vendas desde o início do ano em comparação com o mesmo período de 2008. Relativamente ao futuro, o empresário confessa estar «pessimista», até porque, em seu entender, «a crise chegou ao interior do país e mais ainda na nossa região, que vive essencialmente do sector primário».

Ricardo Cordeiro

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