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Temporal causou elevados prejuízos nas vinhas de Pinhel

Granizo danificou as vinhas de duas centenas de agricultores e veio agravar um ano que já estava a ser difícil para o setor vitivinícola

As fortes chuvadas acompanhadas de granizo que caíram concelho de Pinhel entre sexta-feira e sábado causaram avultados prejuízos a cerca de 200 viticultores, revelou o presidente da Adega Cooperativa local.

Agostinho Monteiro, que é também presidente da União das Cooperativas da Beira Interior (Unacobi), refere que o temporal afetou «duas zonas distintas do concelho», primeiro entre Pinhel e o Bogalhal, na sexta-feira, e no dia seguinte na zona de Freixedas, com maior intensidade. Os prejuízos ainda estão a ser apurados, mas o responsável vai dizendo que «há vinhas em que não há uma folha que não esteja destruída ou uma uva que não esteja picada» e que, por conseguinte, estão «completamente destruídas em termos de produção». A situação agrava-se com o regresso do sol e do calor, pois «ainda falta algum tempo para o início das vindimas» e assim as uvas «começam a secar e a apodrecer», relata Agostinho Monteiro. O dirigente diz que o caso só não assume «contornos mais dramáticos» porque «90 por cento dos agricultores têm seguro e estão a participar», mas também há situações de outros que «desistiram dos seguros devido ao elevado preço» e que terão de assumir os prejuízos.

As tempestades vieram agravar um ano que, segundo Agostinho Monteiro, «já estava a ser difícil» para o setor vitivinícola devido às geadas de maio e à prolongada situação de seca e calor. «Esta intempérie veio atrapalhar os nossos planos, pois já tínhamos a vindima planeada e uma determinada expectativa de produção que agora deixa de corresponder à realidade», adianta. O presidente da Adega de Pinhel lembra que «haverá obrigatoriamente menos vinho» e que será necessário «proceder a uma separação porque estas uvas terão menor qualidade», traduzindo-se tudo isto em «elevados prejuízos para a Cooperativa». A produção de vinho naquela adega está assim «comprometida em cerca de 35 por cento», com o presidente a revelar que espera receber este ano um total de cerca de 11 milhões de quilos de uvas, quando «num ano normal atingimos os 17 milhões».

Neste sentido, Agostinho Monteiro apela ao Governo para que «aja com urgência», estendendo a isenção de pagamento da Segurança Social aos viticultores de Pinhel atingidos pelas condições atmosféricas adversas. O responsável reclama ainda «uma reflexão sobre o seguro das colheitas», que registou um aumento, e a «introdução de uma nova cobertura de prejuízos causados pela seca».

Fábio Gomes 35 por cento da produção deste ano da Cooperativa de Pinhel está comprometida

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