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«Saio imediatamente se houver alguma incompatibilidade»

Cara a Cara – Entrevista

P – Foi recentemente nomeado comandante operacional municipal da Protecção Civil da Covilhã. Quais serão as suas principais preocupações?

R – Já estava muito ligado à Câmara nesta área. Fiz o levantamento de risco da cidade e do concelho, bem como os planos de intervenção para a Serra e zona histórica. Até fizemos simulacros de um eventual acidente aéreo no aeródromo. Portanto, julgo ter uma equipa muito acima da média, que trabalha muitíssimo bem em todos os domínios. Na verdade, sempre trabalhámos em colaboração e com o apoio da Câmara, até porque esta ligação entre a protecção civil e os bombeiros é fundamental, pois estes últimos são como que o seu “braço armado”.

P – Que diagnóstico faz do município? Onde julga ser necessário intervir com mais urgência?

R- Há algum tempo atrás existiam situações que me causavam algum pânico, sobretudo na zona histórica da cidade. Porém, essa área foi completamente remodelada e equipada, há cerca de quatro anos, com uma rede de incêndios extraordinária, muito operacional e com grande capacidade de água. As faltas de pressões e de caudal desapareceram. Além disso, sabemos onde cada viatura pode intervir, temos as habitações abandonadas inventariadas e sabemos exactamente como é que um incêndio pode progredir nessas zonas. Também é importante referir que a aquisição da nova escada-plataforma veio dar uma grande ajuda, pois permite-nos chegar a locais onde antes era muito complicado.

P – Acredita, portanto, que há condições para que os bombeiros possam intervir eficazmente no centro histórico?

R- Sim, em absoluto. Obviamente que seria importante aumentar ainda mais os meios de primeira intervenção, mas estamos conscientes das dificuldades financeiras que as Câmaras atravessam e trata-se de investimentos muito avultados. Nas freguesias de Santa Maria e São Martinho temos instaladas caixas equipadas para que os próprios residentes possam actuar em caso de fogo nascente. Sei, aliás, que algumas Juntas estão a tentar colocar esse tipo de meios nas suas zonas. Muitas vezes as pessoas falam nos bombeiros e na necessidade de existirem, permanentemente, mais meios. Contudo, se providenciarmos alguns equipamentos para os locais – que infelizmente custam muito dinheiro – poderemos actuar com mais disciplina para evitar que um incêndio tome determinadas proporções. Os primeiros quatro minutos são de extraordinária importância. Por outro lado, é preciso não esquecer que a protecção civil só pode funcionar eficazmente se cada cidadão levar a peito os seus deveres: as pessoas têm de fazer a sua própria protecção civil. Por exemplo, quando chega a época das chuvas, há que desentupir caleiras, limpar lareiras, ajudar na limpeza de terraços, entre outras tarefas. Também na parte florestal ainda não se ganhou consciência de que a floresta é a maior fonte de vida. Quando as pessoas interiorizarem essa ideia, começarão a lutar pela protecção das matas e deixarão de fazer descargas clandestinas, por exemplo. Se todos fizermos um exame de consciência e começarmos a trabalhar para este fim, estou convencido de que os problemas da protecção civil estarão resolvidos.

P- Que comentário faz às criticas dos vereadores do PS, segundo os quais vai «fiscalizar a sua própria acção», uma vez que também é deputado na Assembleia Municipal e comandante dos bombeiros?

R – Posso anunciar que já contactei a Câmara e o responsável da Protecção Civil no sentido de ser rapidamente averiguado se, efectivamente, existe alguma incompatibilidade. E se houver, saio imediatamente e peço a substituição na Assembleia Municipal. Gosto de estar limpo e consciente em tudo aquilo em que estou. Não me apraz estar nos cargos por pertencer aos clube A ou B, mas sim por ser um homem operacional e as pessoas reconhecerem esse facto. A crítica é extraordinariamente importante quando é positiva, mas, se for feita simplesmente para destruir, não interessa. Parece-me que este não será o caso, até porque tenho uma relação forte de amizade com Miguel Nascimento e Victor Pereira. Mas, se se confirmar que há alguma problema, eu desligo-me. Não quero, de forma alguma, ser um entrave.

P – Mas do seu ponto de vista, acredita que possam existir incompatibilidades?

R – Se a lei vier dizer que sim, temos que nos limitar a cumpri-la. Do meu ponto de vista, creio que não existem problemas, mas serão os juristas que irão ditar “as regras” e eu cá estarei para as cumprir.

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