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PT protagoniza «um dos maiores investimentos de sempre» na Covilhã

“Data center” custará entre 30 a 50 milhões de euros e irá criar até 500 postos de trabalho

A Câmara da Covilhã e a Portugal Telecom apresentaram na última sexta-feira um projecto que vai dotar a Covilhã do novo centro de dados. O futuro “data center” da PT representa, numa primeira fase, um investimento de 30 a 50 milhões de euros e poderá criar até 500 postos de trabalho altamente qualificados. Vai ser um dos maiores centros de armazenamento de dados da Europa, sendo que os servidores e escritórios vão ocupar uma área total de 45 mil metros quadrados, num local ainda por definir.

O presidente executivo da PT realçou que a escolha da Covilhã, que ganhou a corrida a outras 25 candidaturas, foi feita por «consultores internacionais reconhecidos nesta área» com base num vasto conjunto de factores de diversa ordem: «As condições de clima, o facto de ser anti-sísmico e a preocupação com a parte ambiental foram os três factores absolutamente críticos na decisão. O outro que eu talvez relevasse é o facto de termos aqui um espaço que nos permite construir algo ambicioso e que é para servir clientes portugueses, mas também internacionais», frisou Zeinal Bava. O responsável sublinhou que «estamos a fazer este projecto para trazer empresas internacionais para Portugal e o facto de nos disponibilizarem um espaço que permite crescer no futuro é fundamental». A construção das instalações vai avançar «quase com efeitos imediatos», de modo a que a unidade esteja a funcionar no segundo semestre de 2012. O presidente da PT acredita que o investimento na Covilhã poderá «vir a ultrapassar» os 50 milhões de euros porque «o nosso objectivo é ter aqui uma unidade que possa servir clientes portugueses, empresas e consumidores, mas também internacionais».

Nesse sentido, «escolhemos uma parceria internacional importante para poder aumentar a nossa rede de contactos e a adesão desses clientes pode permitir no futuro aumentar os módulos que aqui temos construídos». De resto, «vamos começar com 12 mil metros quadrados, o que já é um investimento significativo, mas foram criadas condições para que, no futuro, tenhamos espaço para expandir, se assim o quisermos fazer», adiantou. O centro de dados vai criar 100 postos de trabalho directos, muitos relacionados com engenharias, e outros 400 indirectos. A PT prevê a criação de parcerias com a UBI para desenvolvimento de programas de inovação e ponto de recrutamento. Quem não podia estar mais satisfeito com a escolha da Covilhã por parte da PT era o presidente do município, que salientou a importância de um «grande projecto que suscita da parte da Câmara uma parceria plena com a PT». Salientando o «grau de exigência que o projecto nos traz», Carlos Pinto considerou que «cria-nos grandes expectativas de podermos afirmar uma estratégia que vimos perseguindo há muitos anos, que é a da Covilhã ter um ecossistema voltado para as novas tecnologias».

O edil sustenta mesmo que se trata de «um dos maiores investimentos de sempre para a Covilhã pelos valores envolvidos, pelo que significa de emprego, qualificação da cidade e de âncora para outras empresas que poderão vir». Do mesmo modo, «é um investimento com uma dimensão europeia que qualquer cidade da Europa gostaria de ter». Na cerimónia de apresentação, o presidente do município considerou que a decisão da PT constituirá para a Covilhã «uma pujante âncora, que há muito aguardávamos, com a consciência do potencial que representa para irradiar consequências muito positivas noutros sectores». Em relação à localização do “data center”, o autarca pouco adiantou: «Sobre essa matéria temos ainda trabalho a fazer em conjunto a partir daqui. A área vai ser definida pela equipa da PT conjuntamente com a Câmara mas sobre a qual neste momento não podemos adiantar nada», disse.

Câmara da Covilhã desmente autarquia do Fundão

Após o anúncio oficial, a Câmara do Fundão emitiu um comunicado onde se «congratula» pela decisão da PT e dá a entender que alguns dos “louros” também lhes são devidos. Mas a autarquia da Covilhã já repudiou esta posição.

Além de sublinhar a importância do projecto para a região, o município fundanense refere que se tratou de «um projecto que começou há mais de um ano, numa posição concertada e articulada entre os municípios do Fundão, Covilhã e Castelo Branco, que sempre viram no “data center” da PT uma imensa mais-valia para a Beira Interior». No documento lê-se ainda que a autarquia «tudo fez para trazer este investimento para a região desde o primeiro momento» e que alimenta agora «a esperança de que os nossos jovens possam encontrar, nesta região e num futuro próximo, as oportunidades que tardavam».

O teor da missiva não caiu bem na cidade vizinha. Tanto assim que o vereador Pedro Farromba nega a existência do referido acordo. «Não é verdade que tenha havido conversações ou entendimentos com a Câmara do Fundão e muito menos com a autarquia de Castelo Branco quanto ao interesse no “data center”», garantiu. Lembrando que a candidatura feita pela Câmara do Fundão foi «concorrente» relativamente à da Covilhã, Pedro Farromba sublinhou que a escolha desta última é resultado «da exclusiva lavra dos responsáveis do município, que não tiveram qualquer apoio por parte de quem agora se congratula». O vereador considerou ainda serem «dispensáveis tentativas de colagem de última hora e abusivas distorções do mérito da vasta equipa da Câmara da Covilhã, que assim defendeu os interesses da região em competição directa com outros 25 municípios do país, entre os quais o Fundão».

Ricardo Cordeiro Zeinal Bava e Carlos Pinto mostraram-se bastante «entusiasmados» na apresentação do projecto

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