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PSD à procura da credibilidade perdida

Álvaro Amaro e Fernando Andrade disputam liderança da distrital e não se têm poupado a acusações

Os militantes do PSD escolhem, no sábado, um novo rumo para a Distrital da Guarda. O estreante Fernando Andrade disputa com o repetente Álvaro Amaro a corrida à sucessão de Ana Manso, cuja liderança parece não deixar saudades entre os social-democratas. Tanto assim que ambos os candidatos assumem que o partido necessita de uma «voz com credibilidade» para unir o PSD e ser oposição ao PS. Mas esse parece ser o único ponto em que os dois autarcas estão de acordo.

O edil de Gouveia, líder da distrital entre 1994 e 2000, guardou para o fim a divulgação das suas listas, onde não constam representantes de Aguiar da Beira e de Manteigas. Na segunda-feira soube-se finalmente quem vai com Álvaro Amaro (ver quadro), que realçou o pormenor de «50 por cento dos elementos escolhidos nunca terem participado em órgãos distritais». O que, para o candidato, é a prova provada de que a renovação «pratica-se», ao contrário do adversário que «só fala nela». De resto, o antigo dirigente garantiu que, com ele, «não há lugar ao seguidismo e à subserviência». E, por falar no passado, recordou que «poderia ter sido candidato a tudo quando era presidente da Distrital. Mas não. Em 2001, quando não era nada no PSD, concorri a uma Câmara e ganhei». Posto isto, Álvaro Amaro confessou não ter gostado da referência à «”mendinite aguda”» protagonizada por Fernando Lopes na sessão de apresentação de Fernando Andrade: «Não sei o que é isso, não a encontrei no dicionário. Eu gosto de um PSD com saúde e os vírus, por norma, matam-se», disse.

No entanto, os protagonistas do dia foram os seus candidatos aos diferentes órgãos distritais. Seguro Pereira, que lidera a lista de delegados à Assembleia Distrital, garantiu que o elenco de Álvaro Amaro «não é um rebanho que vai atrás do pastor, mas um núcleo de pessoas que sabem o que querem e que tencionam expressá-lo nos locais próprios». Depois foi a vez de Nuno Vaz, candidato à presidência do Conselho de Jurisdição, lamentar o «apagamento confrangedor da distrital» nos últimos anos, para exigir que o PSD da Guarda «não pode continuar a viver nesta mansidão». Quanto a Júlio Sarmento, que concorre à mesa da Assembleia Distrital, recordou o percurso de Álvaro Amaro no partido e na Distrital, considerando que ele é «um protagonista e uma voz com autoridade». O mesmo já não disse de Fernando Andrade: «É alguém que nunca protagonizou nada na Distrital ou no partido», sustentou. Feitas as comparações, o autarca de Trancoso admitiu que nestas eleições está em jogo «a credibilidade e a autoridade daquilo que será o PSD no distrito no futuro».

O «”afilhado”» de Marques Mendes

Críticas mal recebidas por Fernando Andrade, que as devolveu à procedência. Começou num jantar com militantes da JSD na Mêda, no sábado, onde considerou que a candidatura de Álvaro Amaro é «um projecto pessoal e de sobrevivência política de cada um dos seus candidatos para se servir do PSD». E prosseguiu na terça-feira quando admitiu a “O Interior” que nestas eleições está em causa «a versão número dois de Álvaro Amaro contra a renovação completa com Fernando Andrade». Quanto às suas alegadas fraquezas, o candidato diz ter dado bastantes provas em Aguiar da Beira – «basta ir lá ver» – e admitiu não ser de protagonismo, mas «de trabalho e acção». Ao contrário dos seus adversários, cujo protagonismo «só acontece na comunicação social». Fernando Andrade rejeitou igualmente o epíteto de subserviente: «Sou vice-presidente de Ana Manso, mas sou diferente em tudo dela», garante, acusando Álvaro Amaro de ser «”afilhado”» de Marques Mendes, a quem estará «a fazer um frete».

«O presidente do PSD quer todos os amigos do peito a liderar as distritais e quem entra nestas jogadas é que é subserviente», acusa, confirmando que alguns dos seus militantes tiveram a vida dificultada no pagamento das quotas em atraso, actualização sem a qual não poderiam votar no sábado. «Houve muitos problemas, mas alguns conseguiram-se ultrapassar. Só no sábado poderei dizer algo mais sobre o que se passou, porque eu não tenho o poder de controlar o partido como terá Álvaro Amaro enquanto membro da Comissão Política Nacional», sustentou. Polémica à parte, o autarca de Aguiar da Beira garante que, desta vez, os militantes «não se podem queixar da falta de alternativas» para a liderança do PSD da Guarda.

Lista de Fernando Andrade

Comissão Política Distrital

Presidente: Fernando Andrade (Aguiar da Beira)

1º vice-presidente: Manuel Batista Rodrigues (Guarda)

2º vice-presidente: Gustavo Duarte (Foz Côa)

Vogais: Couto Paula (Guarda), José Luís Abrantes (Seia), Rui Correia (Celorico da Beira), Aurélio Saldanha (Mêda), Carlos Gonçalves (Guarda), José Vital Saraiva (Pinhel), José Robalo (Sabugal), Ana Alexandra Madeira (Guarda), Jorge Libânio (Guarda), Lurdes Figueiredo (Guarda), Fernando Albuquerque (Fornos de Algodres)

Conselho de Jurisdição

Presidente: João Mourato (Mêda)

João Bandurra (Guarda)

Paula Albuquerque (Figueira de Castelo Rodrigo)

Luís Nabais (Almeida)

José Quaresma Pinheiro (Manteigas)

Mesa da Assembleia

José Patrocínio (Seia)

Rui Proença (Pinhel)

Lurdes Lopes (Guarda)

Manuel Achando (Celorico da Beira)

António Lourenço (Foz Côa)

Lista de Álvaro Amaro

Comissão Política Distrital

Presidente: Álvaro Amaro

1º vice-presidente: João Prata

2 º vice-presidente: António Edmundo

Vogais: José Diogo Pinto (Seia), Maria Ester Vaz Marques (Guarda), Rui Ventura (Pinhel), Ana Lúcia Antunes (Fornos de Algodres), Vítor Proença (Sabugal), Sandra Abreu (Celorico da Beira), João Carvalho (Trancoso), Paulo Amaral (Mêda).

Conselho de Jurisdição

Presidente: Nuno Vaz

Ângela Guerra (Pinhel)

Fernando Ramos (Foz Côa)

Claúdia Brito (Gouveia)

João Ramos (Foz Côa)

Mesa da Assembleia

Presidente: Júlio Sarmento (Trancoso)

Vice-presidente: José Gomes (Guarda)

Secretário: Nazaré Ribeiro (Almeida)

Secretário: Fernando Pires (Foz Côa)

Luis Martins

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