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«Os resultados do Programa TII estão a ser bastante positivos»

Cara a Cara – Entrevista

P- Como surgiu a possibilidade de desenvolverem o Programa TII – Tecnologia, Inovação e Iniciativa da Microsoft?

R – Este programa foi criado pela Microsoft no âmbito da responsabilidade social da empresa e atendendo também aos fenómenos sociais que acontecem em Portugal, nomeadamente de desemprego. Nesse sentido decidiram colaborar na resolução deste grave problema social, dando assim resposta à grande maioria dos desempregados no nosso país, que são as pessoas do sector têxtil. Daí procurou o CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal e desafiou-nos a formar este público-alvo na área das tecnologias.

P – Para isso a Microsoft desenvolveu um currículo adequado?

R – Sim. Desenvolveram um currículo específico, denominado UP – Unlimited Potential que responde a todas as ferramentas da Microsoft. Trata-se de um currículo bastante exequível e adequado para pessoas com baixa escolaridade, até porque não foi definido exclusivamente para trabalhadores da área têxtil. É um programa que está bastante detalhado e minucioso, até para o formador, uma vez que já possui as sessões preparadas.

P – Que balanço faz do curso que está a decorrer desde Dezembro em Vila Nova de Famalicão?

R – Está a correr bastante bem. Temos 550 inscrições neste momento e já formámos 175 pessoas no nível de acesso, que é o primeiro módulo de 15 horas. Estamos a iniciar uma nova fase, o Elementar, que é o nível em que ensinamos a utilização do Word, Excel e Internet. No entanto, o grupo alvo de Famalicão é ligeiramente diferente do da Covilhã. Iniciámos com formandos mais jovens, mas o nosso objectivo é chegar também a pessoas com idades superiores a 45 anos. Mas no geral as pessoas estão muito motivadas, e isso é visível nos questionários de acompanhamento que temos feito no final de cada nível, onde pretendemos saber quais as expectativas, perceber o seu percurso profissional, o que pretendem fazer após o fim do curso, em que áreas pretendem continuar a ter formação, etc. Não nos interessa apenas dar a formação, mas acompanhar essas pessoas, dar-lhes respostas para a situação em que se encontram e tentar inseri-las no mercado de trabalho.

P – E como têm sido as reacções dos formandos?

R – Por ser um público jovem, estão motivados em conseguir um novo emprego. Alguns deles pretendem continuar na área têxtil, enquanto os restantes pretendem “fugir” deste sector. No entanto, todos são unânimes quanto à importância e utilidade das novas tecnologias em todos os sectores de actividade. Daí termos também muita adesão de participantes e todos quererem continuar nos restantes níveis do curso.

P – Foi essa receptividade que originou o prolongamento do curso para mais um ano do previsto inicialmente?

R – É claro que a receptividade foi um factor importante, mas foi a própria Microsoft que viu que os resultados estavam a ser bastante positivos, para além das expectativas, e decidiu dar continuidade ao projecto, porque acreditam nele. Por isso é que, depois de Famalicão e Covilhã, vamos abrir mais um novo pólo em Guimarães, no próximo mês. O outro também vai funcionar na zona Norte, mas ainda não tem localização nem data de aberturas definidas, por ser a área em que se concentram a maior parte das indústrias e, consequentemente, mais desempregados no sector.

P – O que é preciso fazer para que não haja tantos desempregados no sector têxtil?

R – Essencialmente, aumentar a qualificação dos trabalhadores e apostar na formação profissional. Pelos inquéritos que temos feito em Famalicão, a maioria das pessoas está mesmo motivada para aumentar as suas competências escolares. E nós vamos tentar dar essa resposta.

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