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«Os amigos não se esquecem»

Director de campanha distrital garante que Mário Soares só foi visitar Abílio Curto à prisão

O director de campanha distrital da candidatura de Mário Soares desmente que tenha sido o ex-Presidente da República a impor Abílio Curto na Comissão de Honra local. Armando Reis garante que o candidato apenas visitou o antigo autarca da Guarda, de quem é amigo pessoal, no estabelecimento prisional da Covilhã em Novembro, aquando da sua passagem pela região em pré-campanha. «Como os amigos não se esquecem, ter-lhe-á dito que contava com ele», acrescenta, assumindo a «responsabilidade pessoal» de ter convidado Curto no início de Dezembro, mas após ter falado com «um dirigente nacional do PS».

A escolha do ex-presidente da Câmara, a cumprir, desde Março de 2004, uma pena de dois anos e meio pelo crime de corrupção passiva para acto ilícito, não caiu bem junto de vários apoiantes de Soares. Alguns dirigentes da Federação distanciaram-se claramente da opção e admitem que a mesma vai custar «alguns votos» no dia 22. «Armando Reis e Fernando Cabral é que sabem o que estão a fazer», aponta um socialista descontente, que prefere manter o anonimato. Para o director de campanha, «todos os cidadãos têm direito a uma reabilitação profissional, social e até política, porque não. Mas isso, só depende de Abílio Curto», considerando a escolha «normal». Mais. O ex-autarca, que fez 65 anos no dia 1 de Janeiro, é «um cidadão como os outros. Tem apenas uma limitação física, que deriva da sua situação actual, mas continua a ter direitos», sustenta Armando Reis, para quem a inclusão de Abílio Curto, antigo dirigente nacional do PS, não é prejudicial para a candidatura. «O cidadão está a cumprir a pena a que foi condenado e não pode viver eternamente com esse estigma», acrescenta.

Uma opinião partilhada de certa forma pelas restantes candidaturas. Albino Bárbara, director de campanha distrital de Manuel Alegre, prefere não comentar o assunto, enquanto Jorge Noutel, mandatário de Francisco Louçã, considera que «cada um faz aquilo que entende e Mário Soares está no direito de escolher quem quiser. A escolha de Abílio Curto é um problema dele». Mais crítico está João Abreu, dirigente da Direcção da Organização Regional da Guarda (DORG), que reitera que o PCP tem «uma opinião crítica e negativa sobre a sua gestão na Câmara da Guarda. Contudo, neste caso, «alguém saberá por que o escolheram e qual é a expectativa dessa opção», comenta. Já a candidatura de Cavaco Silva desvalorizou o caso. O nome de Abílio Curto faz parte da extensa lista de autarcas e dirigentes socialistas escolhidos para a Comissão de Honra distrital, entre os quais Eduardo Brito, Emílio Mesquita, Joaquim Valente, Maria do Carmo Borges, Fernando Cabral, João Almeida Santos, Pina Moura e Pires Veiga. Contudo, é o único que não vai poder participar, em princípio, nas iniciativas de campanha já que está preso por ter exigido e recebido dinheiro de dois empresários locais para emitir uma licença de utilização de um edifício que não estaria concluído. Em 2003, foi novamente condenado, no caso do Matadouro Regional da Guarda, a um ano e meio de prisão pelo crime de fraude na obtenção de subsídio e ao pagamento de 465 mil euros ao IFADAP.

Luis Martins

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