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O congresso do PSD

Crónica Política

O recente Congresso do PSD decorreu em ambiente morno, traduzindo-se não mais do que na reafirmação do apoio à liderança, tendo em vista os próximos desafios eleitorais. A única dúvida que persistia, motivo de alguma excitação, era o posicionamento de Santana Lopes, alinhando incondicionalmente na estratégia e nos timings do presidente do partido, ou, pelo contrário, afirmando o seu próprio caminho, como é aliás sua imagem de marca, impondo as regras da sua candidatura presidencial, mesmo que isso significasse a ruptura com Durão Barroso. O discurso de Santana Lopes defraudou os seus apoiantes mais radicais, revelando uma atitude conciliadora, por um lado elogiando o presidente do partido, mas por outro lado reservando-se para correr autonomamente o seu próprio percurso político, por isso pedindo confiança (e paciência…) ao seu amigo Durão Barroso.

De resto, o único facto digno de registo, foi a substituição do secretário-geral José Luís Arnault, alvo de uma intensa contestação no início do seu mandato – ainda que viesse no fim a colher bastantes apoios – , por Miguel Relvas, um político trabalhador, eficaz e profundamente conhecedor do Partido, cuja escolha mereceu aplausos unânimes.

No que à Guarda diz respeito, a nota mais saliente vai para o protagonismo de Ana Manso, que para além de ter defendido no Congresso uma controversa moção distrital de estratégia, conseguiu incluir-se nos vinte primeiros nomes do Conselho Nacional. São inquestionáveis as qualidades da Dra Ana Manso, de trabalho e de perseverança (muitas vezes obstinação…), que lhe permitiram alcandorar-se a lugares de destaque nacional, quer no Partido, quer na Assembleia da República. É questionável é o exclusivismo e egocentrismo da líder: a Dra Ana Manso podia e devia negociar outros nomes do distrito para figurar da lista do Conselho Nacional e não o fez – note-se que foi a primeira vez que as listas àquele órgão nacional não contemplaram qualquer delegado eleito pela Guarda. Esta ascensão um pouco à revelia das estruturas ficou, aliás, patente na ausência de discussão da moção de estratégia, como na inexistência de qualquer Plenário Concelhio de preparação para o Congresso.

Já fora do contexto da assembleia de Oliveira de Azeméis, um último facto da vida política local que merece ser evidenciado, é o retorno às lides partidárias da Dra Marília Raimundo. Ainda não foi desvendado em que termos e quais os objectivos políticos deste regresso. Os factos, como o famoso ramo de flores na festa de Natal, a presença destacada em eventos distritais, ou a expressiva visita de João de Deus Pinheiro à Associação Augusto Gil, não deixam dúvidas quanto à vincada ligação da Dra Marília Raimundo a Ana Manso; veremos se um acordo circunstancial, se uma verdadeira coligação…Seja como for, saúda-se a participação de uma militante histórica, que obviamente tem muito a dar ao Partido!

Por: Rui Quinaz

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