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Medalha de Mérito Cultural para Eduardo Lourenço

Ministro da Cultura pediu ao ensaísta para que cedesse acervo para a Biblioteca Nacional

O ministro da Cultura atribuiu, na última segunda-feira, a Medalha de Mérito Cultural a Eduardo Lourenço como «agradecimento e homenagem» do Governo ao ensaísta e filósofo de 85 anos, «talvez o mais contraditório e coerente dos portugueses», declarou Pinto Ribeiro. A medalha foi entregue na sessão de abertura do Congresso Internacional Eduardo Lourenço – 85 anos, organizado pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Na ocasião, o governante pediu ao filósofo e ensaísta que torne possível a recolha de toda a sua obra para ser depositada na Biblioteca Nacional. «Faço este pedido para que o acervo de Eduardo Lourenço possa estar acessível a todos. Tomo como compromisso que a sua obra ali seja guardada e trabalhada nas condições que [Eduardo Lourenço] estabelecer», afirmou o ministro, desconhecendo, porventura, que parte do espólio do pensador já está confiado à futura Biblioteca Municipal da Guarda, que será baptizada com o nome de Eduardo Lourenço a 27 de Novembro. Visivelmente apanhado de surpresa, o filósofo, natural de São Pedro de Rio Seco (Almeida), disse aos jornalistas que ainda não teve tempo para pensar sobre o assunto, «mas como eu, em geral, nunca digo que não… Vou pensar».

Solicitação à parte, Eduardo Lourenço admitiu estar emocionado por receber a Medalha de Mérito Cultural. «Foi uma surpresa, embora já tivesse ouvido rumores desta condecoração. Tenho recebido medalhas com um significado mais político, mas esta é de mérito cultural. O que se pode exigir mais?», afirmou aos jornalistas. O congresso, que terminou na terça-feira, reuniu cerca de 50 especialistas portugueses e estrangeiros que reflectiram sobre a obra do de um dos mais importantes intelectuais portugueses nas áreas da literatura e crítica literária, filosofia, teoria política, história, cultura e ensaísmo.

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