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No dia em que se comemorava o centenário das aparições da Mãe de Jesus aos pastorinhos em Fátima houve três acontecimentos inéditos em Portugal. Um Papa sul-americano celebrou missa em Portugal, o Benfica celebrou um quarto título consecutivo e a canção portuguesa celebrou uma vitória no festival da Eurovisão. Como não sou crente de nenhuma das religiões – sou ateu, do Sporting e globalista cultural –, as celebrações deixaram-me entre a indiferença e o aborrecimento. Tive, portanto, de gramar pelos dois irmãos Sobral, pelos três pastorinhos e pelos quatro campeonatos. Não foi um sábado fácil.

À primeira vista, pareceria que Portugal tem algum reconhecimento do estrangeiro em Maio dos anos terminados em 17. Veja-se que Portugal surge nos livros de História pelo facto de, em Maio de 1817, as tropas portuguesas terem terminado com a ocupação revolucionária de Pernambuco. A coroa portuguesa, ao não permitir a independência da colónia brasileira, continuou a reinar pelos dois.

Os únicos acontecimentos de relevo em Maio de 1717 foram o nascimento de Maria Teresa de Áustria (precisamente a 13) e a prisão de Voltaire. Embora nada disto tenha acontecido em Portugal é provável que a prisão de Voltaire por abuso de liberdade de expressão, por ter acontecido em Maio de um ano terminado em 17, tenha exercido uma enorme influência astral na cultural antiliberal portuguesa. O autoritarismo, em Portugal, é como o catolicismo e o benfiquismo. Não são religiões oficiais, mas são as que a maioria do povo professa.

D. Pedro III, o rei que nunca quis reinar, nasceu em 1717, mas só em Julho. Além de não se interessar por política, também se desinteressou da ordem cósmica portuguesa e nasceu dois meses mais tarde. Por outro lado, foi aclamado rei (em conjunto com D. Maria I) a 13 de Maio de 1777.

Tudo isto pode ser apenas coincidências, mas, a 13 Maio de 2117, a mim é que ninguém me apanha na rua.

Por: Nuno Amaral Jerónimo

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