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Justiças e Injustiças

Dia 23/02. Jornal da manhã na RTP. Notícia de destaque sobre o caso Joana, também este sem fim à vista, mesmo depois da desafortunada mãe ter confessado o crime ignóbil da morte da própria filha, com encobrimento de cadáver.

Mas, e porque estas já são, hoje em dia, coisas banais (matar filhos), eis que vem a público que uns senhores da Polícia Judiciária, responsáveis por esclarecer estes crimes, já cansados de aturar com tantos mimos esta infeliz, resolveram – e muito bem, a meu ver – dar-lhe umas bofetadas e uns murros (…) para a fazer confessar, o que ela até fez! Se bem me lembro, demorou bastante para que confessasse.

E o que acontece? (…) Acontece que estes senhores vão ser julgados e, provavelmente, condenados e sujeitos a prisão (…). Não se limita a nossa justiça a dar-lhes um aviso, um castigo em multa, coisa assim. Não! Os homens vão a julgamento, para gáudio dos criminosos. Ou o mundo está às avessas, ou desta vez eu concordo que está tudo louco. Um destes dias irá a D. Leonor, com toda a sua condescendência, fazer uma visitinha à cadeia, consolar os “seus carrascos” e, em seguida, entra no “shopping” mais próximo para tomar chá com as amigas! E quanto à pequena Joana, paz à sua alma, porque, finalmente, aqueles que se esforçaram por lhe fazer justiça vão ser castigados.

Zelinda Rente, Freches (Trancoso)

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