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Jogo grande “salpicado” com seis golos

Seia e Mileu empataram a três bolas num jogo em que Zé Tó fez um “hat-trick”

O Mileu forçou no último domingo a União Desportiva de Seia, líder destacado do Distrital da Guarda, a ceder os primeiros pontos da época em casa. As duas equipas mostraram a razão de ocuparem os lugares cimeiros da tabela ao protagonizarem um jogo bastante emotivo e recheado de golos, numa tarde em que Zé Tó foi o “herói” da equipa guardense ao marcar três golos à melhor defesa do campeonato.

Com apenas cerca de 50 espectadores nas bancadas do bonito Municipal de Seia, a partida não podia ter começado melhor para os visitantes, que vinham de uma moralizadora vitória frente ao Sporting da Mêda, pois inauguraram o marcador logo aos 4 . Muito oportuno, Zé Tó aproveitou uma “escorregadela” do guardião Miranda, após um atraso de um companheiro, para se apossar da bola junto à linha de fundo no lado direito e conduzir o esférico até à baliza deserta. “Atordoada” com este golo madrugador, a equipa da casa tentou reagir e aos 6 poderia ter empatado, mas Cardoso, o melhor marcador do campeonato, cabeceou ao lado. O Seia assumiu então claramente o controlo do jogo, mas foi o Mileu que, após uma rapidíssima jogada de contra-ataque, chegou ao segundo golo. Pedro Francês fez um excelente cruzamento do lado direito para a área, onde Zé Tó surgiu entre os centrais senenses a rematar de primeira fora do alcance de Miranda. A partir daqui, os locais intensificaram a pressão, só que a equipa de Paulo Jorge ia errando muitos passes pelo facto do terreno estar muito escorregadio.

À passagem da meia-hora, Cardoso voltou a surgir em posição de marcar, mas o remate saiu ao lado. O Seia chegou mesmo ao golo aos 40 . Excelente jogada de Alex no flanco direito a driblar um adversário e a fazer um cruzamento/remate, com Hélder a desviar para a boca da baliza onde Cardoso atirou, com o joelho, para o fundo das redes. Cinco minutos depois, os serranos alcançaram o empate por Ricardo, que, mais rápido que Hélder, rematou com êxito. Ainda na primeira parte, Celso, jovem do Mileu, atirou uma “bomba” de fora da área forçando Miranda a aplicar-se. A segunda parte começou praticamente como a primeira, com o Mileu a marcar muito cedo, por intermédio do “inevitável” Zé Tó. Ricardo arrancou um cruzamento largo na direita para o segundo poste, onde o ponta-de-lança do Mileu recebeu o esférico e atirou a contar. O lance motivou muitos protestos dos senenses, que pediram mão na bola de Zé Tó. Descontente com a evolução do marcador, Paulo Jorge mexeu no seu onze e a equipa tornou-se ainda mais ofensiva. O merecido golo do empate chegou aos 74 . O recém-entrado Samuel trabalhou bem na esquerda, centrou para a área onde Paulo desviou de cabeça para Alex fazer o terceiro do Seia.

Desta feita foram os guardenses que protestaram, reclamando um eventual fora-de-jogo do lateral direito senense. Volvidos três minutos, o Seia desperdiçou uma oportunidade soberana para fazer o quarto golo. Saindo de posição duvidosa, Cardoso ficou completamente isolado frente a Hélder, mas preferiu assistir Samuel, que demorou muito e viu o seu remate interceptado por um defesa visitante. Com o Seia balanceado para o ataque, o Mileu criou mais duas jogadas de perigo nos últimos minutos. Primeiro, num forte remate de fora da área de Celso, e depois foi, mais uma vez, Zé Tó, que esteve perto de voltar a marcar, obrigando o guardião contrário a boa defesa. A equipa de arbitragem fez um bom trabalho na primeira parte, mas na segunda os lances dos terceiros golos do Mileu e do Seia deixam algumas dúvidas. No final, Paulo Jorge salientou que «a sofrer três golos da forma como sofremos não poderia acontecer outra coisa que não fosse perdermos pontos», acrescentando, no entanto, que as aspirações do Seia de ser campeão permanecem «intactas». Do outro lado, Liberalino Almeida teceu duras críticas ao trio de arbitragem: «Não ganhámos porque fomos um pouco empurrados para trás pela arbitragem. Num jogo como este, mandar um árbitro que já não apitava há um ano é de lamentar», estranhou.

Ricardo Cordeiro

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