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João Mourato acusa colega de vereação de «promiscuidade política»

PSD passou a ter apenas um vereador na Câmara da Mêda após Jorge Saraiva ter passado a independente

Jorge Saraiva, eleito vereador da oposição pelas listas do PSD na Câmara na Mêda nas autárquicas de 2009, passou a independente na última reunião do executivo realizada na passada quarta-feira, após ter sido desafiado para tal pelo seu ex-colega social-democrata João Mourato. Na origem desta decisão está o facto de, em julho, ter representado por duas vezes o município em cerimónias oficiais em Cantanhede, cidade com a qual a Mêda está geminada.

No dia 22, o município foi representado por Jorge Saraiva na inauguração da Expofacic – Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede e volvidos três dias aconteceu o mesmo nas comemorações do feriado municipal daquele concelho do distrito de Coimbra. Presenças que não agradaram ao outro vereador do PSD na autarquia medense, que considera que «esta forma de representatividade do concelho não é a mais adequada nem politicamente correta, pois quem perde as eleições não pode legitimamente representar a maioria PS que ganhou essas eleições e que governa». Por isso, sendo Jorge Saraiva «vereador da oposição eleito nas listas do PSD, não pode ele agora vir a ser o representante da autarquia. Parece-me uma atitude estranha de quem objetivamente delega estas competências e mais promiscua de quem recebe este mandato insensato», declarou João Mourato.

O antigo presidente do município acusa mesmo o seu ex-colega – e ex-vice-presidente nos mandatos anteriores – de «promiscuidade política», considerando que «se colou desde o primeiro minuto à maioria» e «não tem um voto contra em nada, é mais um vereador do PS». O social-democrata garante que vai «continuar a assumir a liderança do PSD e a ser oposição» no executivo municipal, adiantando que «não existe qualquer acordo de governação nesta autarquia entre PS e PSD ou coligação, porque me parece não existir qualquer proximidade política, tendo também em conta os programas que foram referendados nas últimas eleições». João Mourato também entende que «não é curial que qualquer vereador, mesmo da oposição, não respeite o seu eleitorado nas suas pretensões, intenções e atitudes políticas que apresentou no seu programa». Por isso, lançou o repto a Jorge Saraiva – que aceitou – para que assumisse o estatuto de independente, «que é a melhor forma de continuar com a política que tem seguido neste mandato, desprezando totalmente o seu eleitorado e a razão de ser de ter assumido um lugar na vereação».

Apesar das várias tentativas, não foi possível até ao fecho desta edição contactar Jorge Saraiva. Já o presidente do município afirmou a O INTERIOR que encara com «total normalidade» o facto de um vereador da oposição ter passado a independente, explicando os motivos que o levaram a representar a autarquia em Cantanhede: «Eu não podia estar presente porque estava meio adoentado com gripe e os outros dois vereadores estavam de férias. O dr. Jorge Saraiva prontificou-se a ir e não achei isso mau de todo», esclarece Armando Carneiro. De resto, o edil considera que a situação «até dá uma imagem positiva de que está tudo bem na Câmara». Curiosamente, na última terça-feira, o sítio do município ainda identificava Jorge Saraiva como sendo vereador do PSD.

Ricardo Cordeiro Executivo é agora constituído por três vereadores do PS, um do PSD e um independente

Comentários dos nossos leitores
ppmarques ppmarques30@sapo.py
Comentário:
O PSD devia tirar a confiança política ao vereador que fica nas listas, será a política da terra queimada?
 
Medense Atento medenseatento@gmail.com
Comentário:
Isto do bota abaixo é muito lindo sim senhor…. Temos que nos unir todos para ultrapassar estes momentos de austeridade. O Sr. Mourato e respectiva companhia não têm nada que falar… ou já se esqueceram das trafulhas que fizeram ao longo dos anos anteriores….
 
Medense Atento medenseatento@gmail.com
Comentário:
Para quem não sabe, estiveram presentes pessoal da Câmara durante o feira toda, assim como um grupo de concertinas da Coriscada que actuou um dia no recinto
 
Mário mariolobao@gmail.com
Comentário:
Como será posivel um vereador a quem a presidencia da autarquia não atribuiu qualquer pelouro, talvez por falta de confiança, agora representar a mesma autarquia em actos oficiais? O mais sensato seria, uma vez o presidente estar adoentado, um outro vereador interromper as férias, ou não permitir que os dois gozem férias em sobreposição.
 
Sócrates pensador399ac.@gmail.com
Comentário:
É de ver comentários como os do caro Medenseatento, que cada vez mais me desiludo com o tipo de pessoas que temos na nossa sociedade. A notícia veicula um assunto, e estes ruins comentaristas aparecem com afirmações cínicas e desvirtuadas, sem terem qualquer fundamento. Portanto, no caso do Medenseatento, plasma bem a inexistência de literacia funcional, revelando excelentes dotes no que concerne à falta de cultura e idoneidade em tais golpes baixos que acusara o vereador Dr. Mourato no seu comentário. Portanto, se o conhecesse dir-lhe-ia apenas duas coisas; a primeira seria cultive-se e a segunda vá-se actualizando quanto às matérias e à sua forma. Talvez, nem tudo esteja perdido. Por conseguinte, devia debruçar-se sobre a notícia e não quanto a questiúnculas que em nada engrandecem e enobrecem a política. Só assim, pode aportar positivamente para o esclarecimento dos assuntos em questão. Agora, passarei a avaliar o artigo em questão. Em primeiro, fazendo uma leitura pelo artigo leva-me a concluir que o Dr. Jorge nunca respeitou o eleitorado que votou nele. Isto é péssimo e para ele ainda mais. Uma vez que sendo um educador e pedagogo por natureza, devia dar o exemplo aos mais jovens, e não um exemplo cheio de falta de ética, cordialidade e rectidão. O Dr. Jorge, ao fim destes anos todos revelou-se na pessoa que é; sem ilustração e como historiador os princípios rezam-lhe à história. É, também, triste de se ver que o Dr. Jorge represente o município em actos oficiais. Não entendo o que o executivo PS anda a fazer. Será que está em modo férias e ninguém sabe? Alguém entende? Alguém se deu conta? Não é estranho que o Dr. Mourato seja mais noticiado que o próprio executivo? Se alguém entender, que mo diga e eu ficarei muito agradecido. Nunca pensei que a oposição pudesse representar uma maioria num acto solene como é o dia do feriado municipal. Assim, leva-me à ideia que o executivo anda as aranhas e não sabe o que anda a fazer e o Dr. Jorge faz o papel de V for Vendetta, desapegando-se totalmente do seu passado político. Nunca vi nada assim. Creio que na Mêda, este executivo e a sua grei será julgada civilmente pelo que anda a fazer. Eles andam a lesar severamente a autarquia, aquela que lhes paga e a qual deviam defender. É questão de verem a quantidade de concursos desnecessários que estão a meter às pazadas. Só para dar uns meros exemplos: – Dá para entender que metam na câmara a tempo indeterminado um licenciado de Inglês ramo científico e de seguida abram lugares para professores de Inglês? Será que o executivo precisará de um intérprete de inglês? – Qual a necessidade de um Psicopedagogo curativo? Com vinculo a tempo indeterminado que por acaso tirou o curso na Moderna e a qual o Estado fechou. O caso é mais grave se formos analisar que este curso só existiu em privadas e nunca em universidades públicas, na medida que nunca foi prioridade para o Estado e hoje em dia deixou de existir em Portugal, já que é suplantado por psicólogos educacionais. E o próprio funcionalismo público vai abrir um concurso para um licenciado destes, preterindo jovens que estudaram em universidades e que até estão na ordem dos psicólogos. Isto é o Estado-cabrão ou o município-cabrão? A Mêda, hoje, representa a corrente niilista na prática. Um nada de nada…
 

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