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IPG, Saldo Final

O Instituto Politécnico da Guarda é fundamental para a sobrevivência da região. Cria empregos, traz gente nova que faz despesa, pode ajudar as nossas empresas naquele pequeno detalhe que faz a diferença. Não é um fim em si mesmo e não se esgota dentro das suas paredes. Deve integrar-se como unha com carne com a região. Deve formar os quadros superiores das nossas empresas, deve interessar-se pelas questões que nos afligem e compreender e interferir na comunidade. Deve convencer-nos de que fazemos bem em lhe confiar os nossos filhos.

Foi precisamente este o meu ponto de partida: descobrir se o IPG é recomendável para os meus filhos. Para isso, coloquei-me na posição de um pai que quer escolher uma escola superior para o seu filho e tem como principal fonte de informações a internet. Os resultados que obtive não foram lisonjeiros para o IPG, longe disso. O IPG trata mal a sua imagem pública, parece até conformar-se com ela. Apresenta como trunfo a facilidade de admissão nos seus vários cursos (até há pouco tempo, admitia alunos com notas negativas nas disciplinas fulcrais), o que afasta os que procuram a excelência.

Não nos podemos resignar a isto. O IPG tem condições excepcionais, as suficientes para subir muito acima da mediocridade geral do nosso ensino politécnico. As suficientes para ser um motor do desenvolvimento regional. Não é preciso muito para que isso aconteça. Pediram-me contributos positivos e tenho-os:

1. Entendam-se. Deixem-se de processos. Coloquem os interesses da escola à frente dos vossos e das vossas tricas. Tanta guerrilha já enjoa.

2. Informem. Coloquem informação relevante e actual na internet. Dêem aos pais argumentos válidos para escolherem o IPG em detrimento de outras escolas. Procurem definir e implementar verdadeiras vantagens competitivas.

3. Compreendam a região. Há cursos que não interessam para nada e formam apenas para o desemprego. Há outros que são fundamentais, ao formarem os profissionais de que a região precisa. Há cursos que pertencem ao mundo que passou, há outros que serão de um mundo que emerge. Por exemplo: somos uma região de velhos; estes precisam de cuidados especiais. Os inúmeros centros de dia e lares da terceira idade da região precisam de profissionais qualificados, que podem e devem sair do IPG. Temos disponíveis na região muitos milhares de hectares de terreno inculto. O futuro dos combustíveis passa pelo bioetanol e pelo biodiesel, que precisam de grandes extensões de terreno onde se possam produzir as plantas que fornecem a matéria prima. A tecnologia é simples, mas há que formar profissionais, que podem e devem sair do IPG. O mesmo para as restantes soluções de energias alternativas. Ou ainda para a certificação e valorização dos produtos regionais.

4. Sejam exigentes. O IPG não pode ser uma solução de recurso para quem não consegue entrar nas “boas escolas”. Se forem exigentes, as empresas confiarão na qualidade dos vossos licenciados.

5. Produzam. Façam falar do IPG por outras razões que não sejam as sentenças dos tribunais. Sejam activos e interventivos. Sejam o orgulho da cidade.

Sugestões:

Um livro: Sobre Humanos e Outros Animais (John Gray, Lua de Papel 2007). Não somos assim tão especiais. O “Humanismo” é apenas uma falácia, entre tantas outras. É também a mais nociva de todas.

Outro livro: O Fim da Fé (Sam Harris, Tinta da China 2007). Porquê aceitar tão acriticamente as provas acerca da existência de Deus quando somos tão exigentes quanto às provas sobre outras matérias? E se aplicássemos o método científico, com todos os seus rigores, às questões religiosas?

Por: António Ferreira

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