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Ilegalidade ou despudor?

O que é que uma fatura do SMAS Guarda tem a ver com os livros do 1º ciclo? O leitor pensará que não tem nada a ver. Mas a Câmara da Guarda pensa que sim. Qual não é o meu espanto quando, ao abrir o ficheiro com a fatura, em vez da muito lógica: “Estimado cliente, economize água. Utilize apenas o necessário” (fatura de julho), me deparei com a seguinte mensagem: “O Município da Guarda oferece os livros de fichas a todos os alunos do 1º CEB do Concelho e material escolar aos alunos dos escalões A e B da Ação Social. Guarda, Cidade Educadora”. O que é isto? Parece-me um claro exemplo de utilização de um meio de massas para fazer chegar uma mensagem claramente propagandística e eleitoralista. Parece-me que as faturas de 1 de setembro e a de 1 de outubro sairão com mais umas odes à brilhante condução dos nossos destinos por parte do executivo. Pergunto-me se será isto legal. A menos de dois meses das eleições autárquicas utilizar a fatura da água para fazer aquilo que me parece uma clara e despudorada campanha eleitoral a custo zero configura, no mínimo, um claro exemplo de falta de pudor e de vergonha.

Mas a história continua sob outras formas. A somar às festas de inauguração de obras que saem mais caras do que as obras em si, anda agora a Câmara da Guarda a gastar dinheiro em cartazes, vulgo “outdoors”. Exemplos não faltam à entrada de cada freguesia. Mas para não ferir suscetibilidades avento os seguintes, caricaturados, alguns deles bem próximos da realidade. Assim, “A Guarda renasce: Substituímos a sanita do campo de futebol de Alguidares de Baixo” ou “A Guarda renasce: Estamos a pensar reprojetar o projeto de pavimentação do caminho agrícola para lado nenhum” ou ainda, “A Guarda renasce: Estamos a pensar começar a fazer concursos internacionais e acabar com os ajustes diretos a partir de 2021”.

Como cidadão, considero escandaloso que se permita este tipo de atuação de um executivo e que ninguém denuncie ou investigue.

Venho assim, denunciar, como guardense, aquilo que me parecem ser procedimentos pouco transparentes por parte deste executivo. Não é por acaso que a Guarda aparece no fundo da lista no “ranking” da Transparência Municipal – na pouco honrosa posição 252 em 310 municípios (dados de 2016) e com o respetivo Índice de Transparência de 34,89 em 100, fortemente negativo, portanto. O executivo da Guarda comporta-se como um mau aluno, por isso leva com um redondo “Não Satisfaz” por parte de quem analisa e avalia a transparência dos municípios portugueses.

A Guarda, assim, não renasce.

A Guarda, assim, é um “bluff” cheio de “show off”.

A Guarda, assim, vai morrendo lentamente.

A herança deste executivo perdurará para além de quem nos governa. Aqueles que estão de passagem nem vão olhar para trás na hora de fazerem as malas.

Por: José Carlos Lopes

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