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I Encontro de Parapente da Serra da Estrela coroado de sucesso

150 praticantes voaram nos céus de Manteigas no último sábado

Cerca de 150 parapentistas participaram no último sábado no I Encontro de Parapente da Serra da Estrela, que decorreu no concelho de Manteigas, quando a organização esperava uma afluência na ordem da meia centena de praticantes. A iniciativa serviu para assinalar a inauguração da Escola de Parapente da Serra da Estrela, dirigida por Vítor Baía, seleccionador nacional da modalidade. De resto, as potencialidades desta zona serrana para a prática do parapente são do agrado de todas as partes envolvidas.

«Vimos o parapente com um certo entusiasmo para desenvolver a zona do Vale Glaciar», conta Carlos Rodrigues, administrador do Skiparque e da “Geração Sem Limites”, empresa de actividades desportivas e de animação turística sediada na Serra da Estrela. A ideia de constituir uma escola de parapente surgiu na sequência de um contacto com alguns praticantes «que apareceram por acaso na Azinha» e que realçaram as «excelentes condições» do local. Daí até à criação da escola foi um passo. A unidade ficará sediada no Skiparque, num investimento que ronda os 150 mil euros (30 mil contos), isto apenas no que toca à empresa privada que adquiriu duas viaturas novas, quatro bi-lugares e cinco asas de iniciação. O retorno deste investimento só será possível ao longo de «alguns anos» e, nesse sentido, a Escola de Parapente vai candidatar-se à realização do Campeonato do Mundo de Parapente de 2005. «Está tudo a postos para que essa prova possa ser realizada no Vale Glaciar», garante Carlos Rodrigues, até porque a Federação de Voo Livre viu a zona como «um “ex-libris”» para a prática da modalidade. E se dúvidas houvesse Vítor Baía desenvolveu um levantamento, desde Setembro do ano transacto, que revelou que a região dispõe de «óptimas condições» para competições e actividades em termos da escola «durante o Inverno», realça.

Quanto ao Encontro de Parapente da Serra da Estrela, as melhores previsões da organização apontavam para 50 a 60 inscritos, mas os 150 participantes, a esmagadora maioria oriundos de fora da região, que voaram nos céus de Manteigas excedeu as expectativas iniciais. «As pessoas felicitaram a escola e o Vítor Baía, um homem que está com o parapente há alguns anos e que nunca viu um investimento tão rápido da parte da Câmara, das Juntas e da empresa privada», revela o gestor, indicando que toda a estrutura foi montada em 15 dias. Para já, existem cerca de 15 pessoas inscritas na escola, sendo que apenas três são provenientes da região, enquanto que os restantes alunos vêm de Lisboa e Porto.

Escola importante para captar novos turistas

Já José Manuel Biscaia, autarca de Manteigas, mantém «fortes expectativas» de que a Escola de Parapente no concelho possa ser um êxito, isto apesar de reconhecer que, num primeiro momento, foi com «grande surpresa» que viu esta novidade. No entanto, esta será uma aposta «previamente ganha» para captar turistas das classes média e média alta, dadas as condições climatéricas e de vento que são «do melhor» que se encontra na região. «Dizemos que temos grandes condições para o turismo, mas só quando se transformam em produto é que as condições são efectivamente turismo», frisa o edil, adiantando que a autarquia já recebeu três pedidos de licenciamento de hotelaria, um complemento importante à escola para se poder garantir «turismo qualificado». Também Joaquim Albuquerque, presidente da Junta de Vale da Amoreira, salienta «ser bom todo o turismo que vier para a nossa zona», daí que a sua autarquia, bem como a vizinha Sameiro, estejam disponíveis para ajudar, em especial no arranjo dos acessos às duas pistas de descolagem existentes. Uma, para os profissionais, ficará na zona da Azinha (Sameiro), e a outra, mais para a aprendizagem dos alunos da escola, está localizada do lado de Vale da Amoreira. Quanto a Luís Soares, autarca de Sameiro, vê este projecto como um complemento ao Skiparque, que já engloba várias actividades. Por seu turno, Vítor Baía, aquando da “descoberta” das potencialidades desta zona, afirmou a “O Interior”, em Janeiro deste ano, que o Vale do Zêzere tem nestes locais «todas as direcções de vento e excelentes correntes térmicas, o que quer dizer que há aqui muito potencial para se tornar a “Meca” do parapente em Portugal», afirmou o seleccionador nacional.

Ricardo Cordeiro

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