Arquivo

Hologramas

mitocôndrias e quasares

Os avanços informáticos registados nos últimos anos, ao nível da impressão gráfica, constituem uma porta aberta para o aparecimento de falsificações dos mais variados tipos. Actualmente, com equipamento de gama média/alta é possível a duplicação, com elevada qualidade, de bilhetes de espectáculos, certificados de autenticidade, entre outros. Desta forma, é necessário utilizar um instrumento, que pelos elevados custos de duplicação, encorajem os falsificadores a desistirem. Nesta tecnologia podemos encontrar os hologramas.

Os hologramas são registos de objectos que, quando iluminados correctamente, permitem observar os objectos que estiveram na sua origem. Isto significa então que os hologramas podem ser comparados a registos fotográficos? Ao contrário das fotografias, que apenas captam a intensidade de luz proveniente das cenas que pretendemos fotografar, os hologramas registam a fase da radiação luminosa proveniente do objecto. Nesta fase está contida a informação sobre a posição relativa de cada ponto do objecto iluminado, permitindo reconstruir uma imagem com informação tridimensional.

Assim, apesar de muitas vezes comparada com a fotografia, a holografia é uma técnica bastante diferente, baseada em propriedades físicas completamente distintas, O único ponto de convergência destas duas técnicas é o material fotossensível onde é feito o registo.

A principal diferença entre um holograma e uma fotografia é a presença da terceira dimensão no holograma, percebida, através da dimensão e profundidade da imagem. Na fotografia, por mais que nos movamos em relação a ela, a imagem permanece fixa em um ponto de vista. Percepcionamos apenas uma imagem plana e bidimensional mostrada na superfície do papel. A mente assimila aquele plano bidimensional como sendo imagem de um objecto tridimensional, mas a informação 3D não é registada na foto.

Um holograma, por sua vez, também é plano, mas a imagem registada nele não o é. Quando olhamos para um holograma e nos movemos em relação a ele, podemos perceber claramente a profundidade tridimensional da imagem, de forma a conseguirmos ver o que está atrás dos objectos que se encontram no primeiro plano da imagem.

Esta propriedade é chamada paralaxe e está intimamente relacionada com o processo de percepção visual. A paralaxe é definida como o deslocamento aparente de um objecto observado devido à diferença entre dois pontos de vista. Os nossos olhos percebem pontos de vista ligeiramente diferentes, que são combinados no cérebro para nos dar a impressão de tridimensionalidade e profundidade das imagens.

Um holograma regista uma infinidade de pontos de vista de uma imagem, permitindo que o nosso cérebro reconstrua o efeito tridimensional original da mesma, ao passo que uma fotografia, regista apenas um único ponto de vista da imagem, registando uma imagem plana.

A construção de um holograma socorre-se de uma fonte de luz laser para iluminar o objecto que se quer registar. A luz emitida pelo laser é dividida em dois feixes, um deles utilizado para iluminar o objecto. Posteriormente, a luz reflectida e dispersão pelo objecto e luz do segundo feixe são recolhidas simultaneamente pela superfície onde se vai registar o holograma. Estas superfícies são constituídas por diversos materiais de acordo com o tipo de hologramas que se pretende construir. Em comum todos estes materiais terão de ser sensíveis à luz. Após a exposição de luz, o processo de revelação, semelhante ao de uma película fotográfica, permite registar dimensões espaciais na intensidade de luz inferiores ao comprimento de onda do laser utilizado. Os materiais mais utilizados são películas ou placas de vidro revestidas com emulsões de cristais de halogenetos de prata em gelatina.

Hoje em dia, técnicas de projecção de imagem através de écrans de cristais líquidos ou matrizes de micro-espelhos com dimensões muito reduzidas, permitem a preparação por meios informáticos de objectos e assim fazer hologramas desses objectos que não existem fisicamente, o que deita por terra a ideia de que não é possível estar simultaneamente em dois sítios distintos.

Por: António Costa

Sobre o autor

Leave a Reply