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Harold C. Urey

Mitocôndrias e Quasares

Na procura por cientistas que contribuíram muito para o avanço da ciência, mas que não estão na ribalta, damos corpo neste texto a Harold C. Urey (1893-1981). Este cientista foi um importante químico norte-americano vencedor do Prémio Nobel de Química de 1934 pelo seu trabalho no isolamento de isótopos pesados, pioneiro na sua classe.

Desenvolveu a sua carreira nos Estados Unidos da América, onde se formou primeiro como zoólogo na Universidade de Montana, em 1917, e, depois da Primeira Guerra Mundial, na Universidade da Califórnia, onde se doutorou; posteriormente estudou física com Bohr na Universidade de Copenhaga.

Os seus trabalhos centraram-se inicialmente no isolamento de isótopos pesados do hidrogénio, oxigénio, azoto, carbono e enxofre, trabalhos que lhe valeram o Nobel da Química pela obtenção do deutério (hidrogénio com um neutrão no núcleo) e pelo isolamento da água pesada (óxido de deutério).

Durante a Segunda Guerra Mundial dirigiu, na Universidade de Columbia, o grupo de investigação que trabalhou nos métodos para separar o isótopo de urânio, U-245, do U-238, e na produção de água-pesada. Finalizadas estas investigações, desenvolveu uma grande atividade dentro do grupo de cientistas atómicos que solicitavam o controlo internacional da energia atómica.

A experiência de Urey

Muitos anos decorreram desde a formação da Teoria de Oparin-Haldane, que defendia que os primeiros compostos orgânicos se tinham formado a partir da matéria inerte existente na superfície do planeta, até se ter tornado possível comprovar a proposta formulada pelos cientistas na década de 1920.

Em 1953, Stanley L. Miller propôs ao seu diretor, Harold C. Urey, que realizassem uma experiência para demonstrar a hipótese de Oparin e Haldane. Estes tinham dito que nas condições da Terra primitiva tinham ocorrido reações químicas a partir de compostos inorgânicos que teriam originado as primeiras formas de vida. Urey aceitou a proposta de Miller e conceberam um aparelho para simular algumas das condições da Terra primitiva. E ao fim de uma semana estava a funcionar.

A experiência consistiu em submeter uma mistura de metano, amoníaco, hidrogénio e água a descargas elétricas de 60.000 volts. O resultado foi a formação de uma série de moléculas orgânicas entre as quais se destacaram o ácido acético, o ADP-glucose e os aminoácidos glicina, alanina, ácido glutâmico e ácido aspártico, todos elementos que as células utilizam na síntese de proteínas. As conclusões do trabalho de Urey foram posteriormente minimizadas porque se criticou que, se por um lado foi possível demonstrar que em condições primitivas de atmosfera se puderam formar os primeiros compostos orgânicos simples, não foi possível demonstrar como surgiram as primeiras células.

De qualquer forma, a experiência de Urey foi a primeira demonstração que era possível formar espontaneamente moléculas orgânicas a partir de substâncias inorgânicas simples nas condições ambientais adequadas. Além do Prémio Nobel, obteve em 1966 a medalha de ouro da Real Sociedade de Astronomia. Dedicou-se à investigação científica com tenacidade até aos últimos instantes da sua vida, chegando a publicar 105 artigos científicos nos últimos 23 anos.

Por: António Costa

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