Arquivo

Edifício da discórdia ainda por habitar

Um ano depois, o prédio de habitação social construído na Guarda-Gare para albergar as famílias do Bairro da Fraternidade ainda não foi ocupado

Um ano depois, o edifício para habitação a custos controlados na Guarda-Gare, que motivou polémica entre as classes políticas locais, continua por habitar. Os apartamentos destinados aos moradores do degradado Bairro da Fraternidade há muito que estão prontas para serem ocupadas, mas as burocracias e as desavenças políticas têm sido um obstáculo. Contudo, o aval do Tribunal de Contas ao negócio celebrado entre a Câmara da Guarda e a construtora Manuel Rodrigues Gouveia já chegou ao município e agora só falta mesmo a escritura. As famílias carenciadas deverão finalmente ser alojadas «até ao próximo mês», garante Maria do Carmo Borges, presidente da autarquia.

Os 17 fogos dos imóveis construídos ao lado da Junta de Freguesia de São Miguel, na Guarda-Gare, permanecem à espera dos moradores prometidos há mais de um ano. A demora deveu-se à ausência de um visto do Tribunal de Contas, mas o processo deu nas últimas semanas mais um passo, na medida em que a autorização já foi concedida faltando apenas «proceder-se à escritura», disse a presidente da Câmara. Mas, para a autarca, a morosidade do procedimento deveu-se principalmente aos «antecedentes do mesmo e às dúvidas levantadas», nomeadamente pela oposição social-democrata. Contudo, já moram três famílias nos “prédios da discórdia”, ocupando três dos 20 apartamentos que «não integravam o conjunto para substituição das casas do Bairro da Fraternidade», explicou Maria do Carmo. Deste modo, as famílias em causa foram alojadas previamente e devido a carências de cariz sócio-económico consideradas urgentes.

Recorde-se que na altura da polémica gerada em torno destes imóveis, os vereadores do PSD consideraram o negócio realizado entre a Câmara e a empresa responsável pela construção um «caso duvidoso». Na altura, Maria do Carmo chegou mesmo a solicitar a intervenção da Judiciária e do Instituto Nacional da Habitação para dissolver todas as dúvidas, mas o resultado foi o que está à vista: o adiamento de um processo de realojamento de pessoas com necessidades num âmbito económico-social. Tudo indica que agora, resolvidos todos os imbróglios, os moradores do Bairro da Fraternidade possam finalmente vir a ser alojados no prédio ainda «durante este ou o próximo mês», adiantou a edil. Para João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel, existe um outro problema no meio desta controvérsia que consiste na «parte traseira do edifício». O presidente adianta que já dirigiu alguns ofícios à Câmara da Guarda a solicitar que a situação seja restituída, não tendo obtido até ao momento qualquer resposta. É que depois de construído o edifício, as traseiras não sofreram acertos urbanísticos e continuam «sem iluminação e com acessos irregulares», uma situação «inadmissível» que o presidente da Junta «gostava de ver resolvida».

Patrícia Correia

Sobre o autor

Leave a Reply