Arquivo

Desemprego pode atingir 22 milhões de europeus

Relatório da Organização Internacional do Trabalho alerta para a possibilidade de se perderem mais 4,5 milhões postos de trabalho nos próximos quatro anos, e avisa que a austeridade não é o caminho.

O desemprego nos países da Zona Euro pode subir dos atuais 17,4 milhões de pessoas para 22 milhões, nos próximos quatro anos, mais do dobro do total da população portuguesa. O alerta é da ONU, através da Organização Internacional do Trabalho (OIT), autora do relatório “Crise de Empregos na Zona Euro: Tendências e Respostas Políticas”.

Os números, a confirmarem-se, traduzem uma perda de 4,5 milhões de postos de trabalho, o que a curto prazo terá implicações especialmente mais graves para os jovens à procura de emprego, considera a OIT. Mais de três milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos estão atualmente sem emprego.

Desde 2010, o desemprego aumentou em mais de metade dos 17 países considerados. As percentagens penalizam sobretudo o sul da Europa, mas começam a surgir sinais preocupantes mesmo nos únicos países em que o emprego aumentou desde 2008, casos da Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo e Malta.

Uma das razões apontadas para a possibilidade de o desemprego se agravar, diz o relatório, é a perda de confiança das empresas que mantiveram os seus trabalhadores na esperança de que as condições económicas melhorassem. Ao não confirmarem essa expectativa, podem acabar por efectuar despedimentos. A OIT sublinha que as medidas de austeridade orçamental, nos países em dificuldades financeiras e também nos mais ricos, estão a prejudicar a criação de emprego, pelo que é considerada urgente a promoção de reformas nos mercados financeiros. O relatório recomenda como medidas prioritárias a reparação do sistema financeiro, com a reactivação do crédito para as pequenas empresas, a promoção do investimento produtivo e do apoio à criação de emprego, em particular para os jovens, a manutenção da protecção social e a aposta no diálogo social com vista a uma estratégia concertada.

Sobre o autor

Leave a Reply