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Desemprego passa a barreira dos 13 mil na região

Concelhos da Guarda e da Covilhã têm cerca de 44 por cento do total de inscritos no final de Janeiro, segundo dados do IEFP

São quase tantos os desempregados no distrito da Guarda e na Cova da Beira quantos os votos obtidos por Manuel Alegre nas últimas Presidenciais no distrito guardense. A comparação é forçada mas serve para demonstrar que, ironia das ironias, o Centro de Emprego já é o maior “empregador” da região. A barreira dos 13 mil desempregados foi ultrapassada em Janeiro, com mais 930 inscritos comparativamente ao mês anterior. Há agora 13.223 pessoas à procura de emprego, mas o mercado de trabalho regional continua a definhar.

Segundo os últimos dados mensais divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) na semana passada, a maior subida registou-se no concelho da Guarda, onde se concretizou o fecho definitivo da Delphi deixando mais 318 pessoas sem trabalho. Mas outros se lhes juntaram, pois em Janeiro inscreveram-se mais 403 pessoas que no mês anterior, enquanto na Covilhã o aumento foi muito menor (mais 126 desempregados). Contudo, é neste concelho que se encontra o pior registo, com 3.495 inscritos, mais 1.106 que na Guarda, uma diferença que persiste há vários anos devido ao nível de industrialização daquele município e ao fecho de empresas. De resto, a tendência de aumento é generalizada nos 17 municípios analisados por O INTERIOR (ver quadros ao lado), mas é na Guarda e Covilhã que estão cerca de 44 por cento dos desempregados desta região. Inversamente, Mêda (116 inscritos) e Almeida (180) são os concelhos com menos gente à procura de trabalho.

A população desempregada continua a ser dominada pelas mulheres, que já são 7.451 (mais 521 que em Dezembro), enquanto os homens representam 5.772 do total de inscritos (mais 409 que no mês anterior). Outro dado a reter é que a quase totalidade dos desempregados destes concelhos em Janeiro procuram um novo trabalho (11.683) e que apenas 1.540 (mais 70) estão à procura do seu primeiro emprego. Por cá, o desemprego de longa duração não domina as estatísticas, sendo mais comuns os casos de gente com menos de um ano de desemprego (7.843). Em termos de idades, continua a prevalecer a faixa etária dos 35-54 anos (5.949), seguida do grupo dos 25 aos 34 anos com 2.897 inscritos e de gente com mais de 55 anos (2.719). Os mais jovens, cuja idade é inferior a 25 anos, representam apenas 1.658 dos inscritos nos quatro Centros de Emprego da região. As qualificações mais comuns entre os desempregados são a quarta classe, ou seja o primeiro ciclo do ensino básico (3.705), seguido do 3º ciclo (3.105), o equivalente ao nono ano. Os inscritos com o secundário ficam-se pelos 2.557, sendo ainda muito menos os licenciados ou bacharéis (1.276).

Luis Martins Fecho da Delphi contribuiu para a Guarda registar a maior subida nos 17 municípios analisados

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