Arquivo

Concelhia do CDS demite-se na Guarda

Populares queixam-se de terem sido «desprezados e desconsiderados» no recente comício de pré-campanha da coligação pelo delegado distrital

A direcção da concelhia da Guarda do CDS-PP demitiu-se em bloco devido à «atitude de desprezo do delegado distrital» para com a estrutura local dos populares. A acusação é de Joaquim Canotilho, líder demissionário, que entregou terça-feira o pedido de demissão ao presidente da mesa da Assembleia concelhia, Pereira da Silva, juntamente com um pedido de desculpas a Deus Pinheiro, cabeça de lista da coligação PSD/CDS às Europeias. A decisão estava em “stand-by” desde a passada quarta-feira, mas foi reiterada na noite de segunda-feira por sete dos oito dirigentes da concelhia.

Para além do presidente, Henrique Monteiro, João Cabral Tomás, Maria Manuel Estêvão, Sérgio Vinhas, Isabel Cravina Canotilho, Armando Lopes e Luís António Cruz, renunciaram às suas funções alegando terem sido «desprezados e desconsiderados» no recente comício de pré-campanha da coligação, efectuado na Guarda a 24 de Maio. Tudo porque, «lamentavelmente», a concelhia da Guarda não terá sido informada dessa iniciativa, tendo tido conhecimento da mesma «em cima da hora» através da comunicação social: «É uma atitude de desconsideração para com os dirigentes desta concelhia e os seus militantes e que deu a entender que estamos contra a coligação, o que não é o caso», refere Joaquim Canotilho, responsabilizando o delegado distrital do CDS/PP pelo esquecimento. Tanto mais que na carta de demissão, a que “O Interior” teve acesso, os dirigentes estranham que outras concelhias e delegados tenham sido informados por João Caramelo, que acusam de ter «discriminado mais uma vez» a concelhia guardense. «Os parceiros da coligação terão forçosamente entendido esta ausência como uma prova de fraqueza do CDS no distrito e, sobretudo, no concelho», escrevem, argumentando que «em política, há obrigações que quando não se cumprem redundam no comprometimento do interesse colectivo».

Perante esta atitude imputada a João Caramelo, os demissionários justificam a sua decisão «irreversível» na «completa incapacidade de diálogo com o delegado distrital, para quem nós não existimos» e exigem que as estruturas nacionais do CDS nomeiem «alguém com capacidade para fazer qualquer coisa, porque assim o partido não vai longe», avisa Canotilho, que aproveita a ocasião para recordar que a concelhia é uma estrutura eleita, «ao contrário do delegado distrital, que foi nomeado». Até há hora do fecho desta edição, não foi possível obter a reacção de João Caramelo.

Sobre o autor

Leave a Reply