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Como avaliar a veracidade do Discurso Político?

Sonhar é preciso

O discurso político é, por excelência, o lugar de um jogo de máscaras. Toda a palavra pronunciada no campo político deve ser tomada ao mesmo tempo pelo que ela diz e não diz. Jamais deve ser tomada à letra numa transparência ingénua, mas como resultado duma estratégia cujo enunciador nem sempre é soberano.

Patrick Charaudeau

Como podemos avaliar a veracidade do discurso político? Ouvindo, observando, comparando, e, por estranho que pareça, também olhando.

Há políticos que só com as feições, com a topografia facial, com os gestos espontâneos, com o olhar agudo, com os sorrisos forçados, entre outros movimentos inesperados, mostram o que realmente estão a pensar.

Também podemos fazer o exercício de ver e rever as promessas de trabalho para o futuro e compará-las com outras já realizadas de igual grandeza no passado político, fazemos contas, encontramos a média e ficamos em condições de saber se as promessas são sérias ou se aqueles que as propõem estão só a tentar insultar a nossa inteligência.

O momento do voto é o mais adequado para procedermos à avaliação e separação daquele discurso que, voluntariamente, nos quer enganar e nos diz aquilo que o emissor pensa que queremos ouvir, daquele outro que, não revelando experiência na arte de iludir, apenas fala da dura realidade e do sonho em transformar essa realidade.

Na hora de votar não devemos permitir que o nosso símbolo de liberdade – o voto – sirva para eleger políticos que, em desrespeito absoluto pela nossa capacidade, afirmam coisas que não configuram o respeito pelo valor da palavra e, por isso, facilmente esquecem o que disseram, não se sentem vinculados a qualquer compromisso e, se ganham, dançam na roda das bruxas.

Um advogado e filósofo francês disse, no início do século XIX, que cada povo tem o governo que merece. Mostremos que merecemos ter um bom governo autárquico. Somos um ente político, por isso, com o poder e o dever de olhar os candidatos nos olhos e dizer-lhes que confiamos ou não confiamos neles, conforme a franqueza do seu rosto, a sinceridade das suas propostas e a coerência da sua vida conhecida com a grandeza da vida pública a que se candidatam.

Nota: não se utiliza o novo acordo ortográfico

Por: Quelhas Gaspar

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