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Comissão de utentes vai promover marcha lenta no IP5

Manuel Frexes admite portagens na A23 mas exige reabilitação das estradas regionais

A Comissão de Utentes Contra as Portagens no IP5/A25 vai realizar em Outubro uma marcha lenta naquela via. Francisco Almeida, porta-voz da comissão, refere que esta iniciativa surge «em resposta a declarações que membros do Governo têm feito nos últimos dias», a quem querem mostrar que «os beirões são gente pacífica, ordeira, mas não gostam de ser comidos por parvos». Entretanto, Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão, admite algumas portagens na A23 desde que as estradas interconcelhias sejam reabilitadas.

Além da marcha lenta e do buzinão nas ruas de Viseu, cujas datas ainda não foram divulgadas, a comissão vai também afixar cartazes gigantes nos três distritos atravessados pelo IP5 (Aveiro, Viseu e Guarda) – na próxima semana. «O secretário de Estado das Obras Públicas disse no Algarve que a questão da introdução de portagens na Via do Infante tinha que ser muito bem vista, porque a Estrada Nacional 125 não pode ser considerada uma alternativa. Por outro lado, disse em Carregal do Sal que a futura auto-estrada entre Coimbra e Viseu terá portagens porque o actual IP3 fica como alternativa», disse o porta-voz, para quem Jorge Costa «ou deixou fugir a língua para a verdade» e está a dar razão à comissão, que sempre defendeu a existência de estradas alternativas como condição para a cobrança de portagens, pelo que «o IP5 não as poderá ter», ou então estará «a pesar a influência» dos políticos. «O Governo poderá estar a pensar que no Algarve os protestos sobem de tom e pode ser difícil introduzir portagens, mas que na Beira as pessoas são pacíficas e vão levar com as portagens. Com as iniciativas estamos a avisar que não é bem assim», alertou. Francisco Almeida revelou ainda que as bancas de recolha de assinaturas para o abaixo-assinado contra as portagens vão continuar a realizar-se, numa acção que já foi subscrita por 13.375 pessoas. A meta da comissão é atingir as 20 mil assinaturas.

Na A23, a divisão parece instalar-se. Manuel Frexes assumiu este fim-de-semana uma posição contrária à dos restantes autarcas da região ao aceitar a introdução de algumas portagens na auto-estrada da Beira Interior «desde que o Governo crie um plano de reabilitação das estradas interconcelhias». Segundo o edil, esta medida foi abordada na semana passada num encontro com o ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, António Mexia, em que participaram autarcas dos distritos de Castelo Branco, Guarda, Viseu e da região do Algarve. Contudo, Frexes considera que as portagens para o tráfego internacional de pesados e para ligeiros de longo curso serão plausíveis «se houver um plano de reabilitação das estradas regionais», acreditando ainda que os percursos locais ficarão isentos. De resto, o autarca também é de opinião que as SCUT negociadas pelo anterior Governo são «um problema que tem de ser resolvido», já que «os contratos prevêem que um veículo que passe na A23 pague por quilómetro quatro vezes mais do que na A1», salienta. Para as Direcções das Organizações Regionais do PCP de Castelo Branco e Guarda, a Beira Interior «não precisa de portagens». Os comunistas dos dois distritos acusam o Governo de fazer «demagogia barata» quando fala em discriminação positiva para os residentes. «O que o Governo pretende é garantir que não falte dinheiro aos consórcios privados, nem que seja à custa dos utentes», desconfia o PCP, que quer saber se serão fechados alguns nós de acesso na A23 e quais as alternativas rodoviárias às auto-estradas que atravessam a região.

Luis Martins

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