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Câmara da Covilhã é a que mais deve da região

De acordo com o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, cada habitante de Fornos de Algodres devia mais de 13 mil euros em 2010

A Câmara da Covilhã é a 11ª mais endividada do país, sendo secundada na região pelas autarquias do Fundão (15ª), Guarda (32ª) e Seia (34ª). De acordo com o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses relativo a 2010, divulgado na semana passada, o total das dívidas daquelas quatro autarquias era superior a 291 milhões de euros. No documento elaborado pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, Fornos de Algodres é o concelho do país com maior volume de dívida por habitante, com 13.847 euros.

Segundo o Anuário, o município liderado por Carlos Pinto tem um passivo exigível de 88,8 milhões de euros, enquanto o do Fundão é de 83,4 milhões, o da Guarda de 61,6 milhões e o de Seia de 57,7 milhões. O estudo da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas assinala ainda que a Guarda foi a autarquia que registou uma maior subida da dívida (de 2009 para 2010), com um valor de 7,3 milhões de euros. A nível percentual, Figueira de Castelo Rodrigo foi a segunda Câmara do país que mais se endividou com 68,4 por cento (3,8 milhões de euros). Em sentido inverso, o município da Covilhã foi o quinto a nível nacional a registar uma das maiores diminuições com menos 6,1 milhões de euros. À semelhança do que já sucedia em 2009, nenhum município da região aparece entre os 50 que apresentam maior independência financeira (receitas próprias/receitas totais). O caso muda de figura quando se fala nas Câmaras com menor independência financeira, com a região a colocar oito autarquias neste indesejado “top 50”.

À frente da lista surge Fornos de Algodres, cujas receitas próprias representavam apenas 3,8 por cento das receitas totais, seguindo-se Figueira de Castelo Rodrigo (10,8 por cento) e Mêda (11,9 por cento). Em termos de receita cobrada, a Câmara do Fundão apresentou, a nível nacional, o menor grau de execução (64,2 por cento) relativamente à receita liquidada, seguindo-se a Guarda com 78 por cento. Em contrapartida, Fornos de Algodres continua a ser o município da região com maior grau de execução da receita cobrada em relação à receita prevista (94,1 por cento). Ao invés, os piores desempenhos neste campo foram alcançados pela Guarda (30,1 por cento), Covilhã (34,5 por cento), Trancoso (38,1 por cento) e Fundão (38,8 por cento). A oitava edição deste Anuário revela ainda que Belmonte é o município com menor passivo exigível da região, com 3,9 milhões e surge no 34º lugar em termos nacionais.

Em termos de dívida por habitante, um fornense devia 13.847 euros em 2010, muito mais que um fundanense (5.143 euros), um celoricense (4.900 euros), um penamacorense (4.570 euros) e um senense (3.900 euros), isto tendo em conta o valor da dívida repartido por cada munícipe. Já a Covilhã é a Câmara da região com menor dívida, por habitante, cingindo-se a 55,3 euros. Outro dado diz que o Fundão era o município da região com maior liquidez (6,3 milhões), à frente de Aguiar da Beira (4,1 milhões), Figueira de Castelo Rodrigo (3,4 milhões) e Covilhã (1,9 milhões), enquanto que a lista de menor liquidez não contemplava nenhuma autarquia da região. O relatório refere também que as Câmaras de Fornos de Algodres, Fundão, Seia, Covilhã e Celorico da Beira apresentaram os maiores índices de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior: 663,5; 407,2; 379,3; 316,3 e 299,5 por cento, respetivamente. Em termos de pessoal, Fornos de Algodres foi o município do país que apresentou menor peso das despesas com funcionários nas despesas totais (5,3 por cento), sendo secundado por Belmonte com 15,3 por cento. Já no “top 35” das autarquias com maior peso neste item não figura nenhum da região. No que toca aos municípios com menor índice de dívidas a fornecedores relativamente às receitas do ano anterior, Aguiar da Beira ocupa a primeira posição com 0,30 por cento.

Ricardo Cordeiro Município da Covilhã devia em 2010 88,8 milhões de euros, mas era o que tinha menor dívida, por habitante, da região

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