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“Call center” da Adecco fecha definitivamente na Guarda

Os trabalhadores do Centro de Suporte a Clientes e Negócios receberam as cartas de despedimento há uma semana e empresa encerra no final de outubro

O Centro de Suporte a Clientes e Negócios da Adecco, instalado no parque municipal da Guarda, vai fechar portas. Depois de muitas “ameaças” e outras tantas promessas por cumprir, a empresa entregou na passada quarta-feira as cartas de despedimento aos trabalhadores. Todavia, a decisão parece ter apanhado de “surpresa” os cerca de 20 empregados.

«Ninguém estava a contar», disse a O INTERIOR uma das funcionárias, que pediu para não ser identificada. «Nem sequer se trata do nosso trabalho, a justificação deles é a interioridade, dizem que estamos muito longe dos grandes centros e que não há clientes», adianta. A trabalhadora lembra que se trata de «um edifício camarário», pelo que considera que a Câmara «tem uma palavra a dizer». O “call center” da Adecco foi anunciado algumas semanas antes das eleições autárquicas de 2009, com o Joaquim Valente, que procurava o segundo mandato, a assinar um acordo com a líder mundial na prestação de serviços de gestão e recursos humanos para a criação de um Centro de Suporte que resultaria em 250 postos de trabalho. Esta meta deixou depois de ser certeza para passar a ser objetivo a curto/médio prazo, mas a verdade é que nunca se concretizou.

A autarquia investiu cerca de 450 mil euros na adaptação do edifício às necessidades da multinacional suíça, valor que deveria ser debitado à empresa sob a forma de renda, com dois anos de carência. A Adecco perspetivava ainda um investimento superior a 800 mil euros e apontava para a Guarda como uma cidade com as «condições ideais»; eram estas as palavras do diretor-geral Paulo Canôa aquando do anúncio do projeto. Cinco meses depois, em fevereiro de 2010, o “call center” era inaugurado e as ambições, ainda que um pouco mais retraídas, continuavam a ser as melhores. Apesar de arrancar só com 25 funcionários, Paulo Canôa mantinha o otimismo: «O número poderá triplicar até ao verão. A nossa garantia é que conseguiremos criar os 250 empregos num horizonte temporal de dois anos, isto numa perspetiva cautelosa», declarou na inauguração. Porém, a verdade é que oito meses depois o projeto assumia um rumo bem diferente do previsto e, em vez de contratar, a empresa dava início aos primeiros despedimentos e ficava com menos de duas dezenas de trabalhadores. Já em meados do ano passado, o Centro de Suporte ficou inativo após ter perdido o seu principal cliente: um operador de serviço de televisão por satélite. Ainda assim, a situação era dada como controlada.

O INTERIOR contactou a Câmara da Guarda e a sede da Adecco, em Lisboa, mas não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição. No entanto, ao que O INTERIOR apurou, a autarquia já tinha conhecimento da decisão da multinacional suíça há duas semanas, sendo que esta só deveria ter sido divulgada anteontem. A notícia acabaria por ser conhecida dois dias antes do final da campanha autárquica, tendo sido um dos temas centrais do último debate entre os cinco candidatos na Guarda, que teve lugar na Rádio Altitude na passada quinta-feira.

Sara Quelhas A autarquia gastou 450 mil euros na adaptação do pavilhão

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