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Bloco de Esquerda ambiciona reforço de activistas e de votos na Guarda

Deputada Ana Drago esteve no distrito e mostrou-se preocupada com a assimetria entre interior e litoral

«Tem que haver uma política que seja capaz de atrair investimentos competitivos e novos sectores de tecnologia para criar pólos de desenvolvimento no interior que, de alguma forma, equilibrem o país». O aviso é dado por Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, que esteve na última semana em campanha pelo distrito, juntamente com o cabeça de lista pela Guarda, Jorge Noutel.

Apesar de reconhecer que é nos grandes centros urbanos que o BE concentrou grande parte dos seus esforços, Ana Drago garante que o partido «sempre defendeu políticas nacionais capazes de desestabilizar o desequilíbrio central entre litoral e interior, com 85 por cento da população a viver na faixa litoral». De resto, a deputada eleita pelo círculo de Lisboa considera que esta política está a dar frutos, uma vez que o BE «não só é um partido de voto, mas cada vez mais um espaço de participação política e de cidadania activa». A culpa da crescente assimetria entre litoral e interior é do modelo de desenvolvimento que tem vindo a ser seguido «não nos últimos três anos, mas nos últimos 15» e que torna o país mais pobre porque «desperdiça parte do que são os recursos humanos do interior e as próprias potencialidades económicas que aqui existem», considera. Para a Guarda, a prioridade é reforçar o número de militantes/simpatizantes e crescer em termos de votação, uma vez que a eleição de um deputado é «ilusória». Em relação ao que veio encontrar no distrito, Ana Drago frisa que a Guarda espelha de forma «muito evidente os dramas da economia portuguesa», exemplificando com o caso da Vodrages, com cujos trabalhadores esteve reunida. «A empresa teve investimentos por parte do Estado, subsídios da União Europeia para modernização e o que se percebe aqui, e no sector dos têxteis em particular, é que todos esses apoios para uma suposta modernização foi dinheiro que se esfumou», acusa.

Ana Drago focou ainda a necessidade de um conjunto de investimentos públicos para o distrito, nomeadamente a construção dos novos hospitais da Guarda e de Seia. Quanto ao modo como a campanha tem decorrido a nível nacional, a deputada do BE acusa Santana Lopes de «inventar diariamente um novo “fait-divers” ou fazer um novo disparate que o PS faz questão de comentar todos os dias», lamenta. Nesse sentido, o que aparece na comunicação social «é o disparate de Santana Lopes, a reacção do PS, o comentário de “x” e “y” e verdadeiramente os problemas e as questões com que o país se debate tendem a não ser discutidas», critica.

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