A Associação de Jogos Tradicionais da Guarda (AJTG) é uma colectividade fundada em 28 de Agosto de 1979. O seu âmbito de acção e a sua área de influência (o distrito da Guarda) conferem-lhe um pioneirismo relevante a nível nacional. De facto, esta foi a primeira colectividade do género a surgir no país.
Numa altura em que o associativismo estava “de sangue na guelra”.
Numa altura em que a curiosidade sobre as nossas raízes culturais, desde a musicologia e a etnomusicologia, ao folclore, às tradições, passando pela literatura popular ou pelos jogos, estava em crescendo.
Numa altura em que, mesmo as correntes científicas, apontavam para a importância do estudo da cultura popular (no seguimento da acção de estudiosos como Michel Giacometti, Jorge e Margaux Dias ou ainda Jaime Lopes Dias), houve na Guarda quem tomasse consciência das riquezas lúdicas de que o distrito dispunha e do quanto seria fundamental a sua preservação.
E foi com o objectivo de o conseguir que a AJTG se constituiu como colectividade. Não uma colectividade fechada sobre si própria. Antes procurou sempre ir ao encontro das associações locais no sentido de, com elas, desenvolver a sua acção. Por isso, estatutariamente, a AJTG desenvolveu uma política de angariação de sócios colectivos. De certa forma, estabeleceu-se assim uma estrutura piramidal que potenciou o desenvolvimento de iniciativas por toda a área do distrito, mesmo nas mais recônditas aldeias.
Ao longo dos seus quase trinta anos ininterruptos de actividade foram às centenas as actividades desenvolvidas um pouco por todo o distrito, quer por si só, quer através de parcerias com os seus associados ou com mordomias e comissões de festas.
Além desta intervenção de cariz distrital e nacional, a AJTG tem vindo a integrar movimentos mais amplos de âmbito europeu, como é o caso da AEJST (Association Européenne de Jeux et Sports Traditionnels) e mundial, sendo sócio-fundador da TAFISA (Trim and Fitness Association).
Ainda que não considerássemos outros vectores, só por si a existência de entidades organizadas de âmbito geográfico tão vasto, dar-nos-ia a dimensão e a importância que se reconhecem ao estudo e ao incentivo à prática das actividades lúdicas ditas populares/tradicionais. Isto sempre tendo em mira a preservação de um património imaterial de uma diversidade avassaladora e que, quantas vezes, contribui decisivamente para a compreensão de um povo, uma cultura, no seu todo, globalmente.
Preservar, ajudar a preservar este património é, pois, um dos objectivos fundamentais a que a AJTG se propôs e que, com maiores ou menores dificuldades, com maior ou menor visibilidade, com maior ou menor reconhecimento institucional, tem vindo a conseguir.
Todavia a sua acção não se esgota na organização de actividades de jogos tradicionais. Seria demasiado redutor. Ao longo de três décadas a AJTG compilou milhares de fotografias, centenas de horas de filme, deu à luz várias publicações, recolheu brinquedos e materiais de jogos, que hoje constituem um acervo historico-antropológico fundamental para quem quiser conhecer o quotidiano do distrito e do país na segunda metade do século passado.
Depois, e porque as necessidades logísticas assim o exigiam, sediou-se no Largo do Torreão, em espaço cedido pela autarquia e que foi recuperado pela própria colectividade.
Hoje um espaço nobre, em pleno centro histórico da cidade. Um espaço que continua a ser dinâmico, no qual se continuam a desenvolver projectos de intervenção e de animação comunitária para que os jogos, esses parceiros inseparáveis dos Homens de qualquer tempo, não caiam no esquecimento, tragados pela voragem dos tempos e do progresso.