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Amor de formiga

Opinião – O que esperar de 2017

As perspetivas para 2017 não são as mais animadoras. A “Europa” é um polo magnético para os seus cidadãos de maior êxito. Para os vencedores. E quem fala pelos perdedores? Dos que vivem longe dos centros abastados? Dos desvalidos e desprezados? Para estes, Bruxelas é hoje uma abstração administrativa e alvo de um crescente desdém. Sem surpresas, o populismo nacionalista alastra por essa Europa fora.

A geringonça lá vai andando aos solavancos. A tempestade aproxima-se e o nosso governo, em vez de construir diques e canais para escoar as prováveis inundações, anda por aí armado em cigarra a distribuir o que o país não tem. Enfim, enquanto o pau vai e vem folgam as costas. Entretanto, este é ano de autárquicas. Por cá, pela Guarda, a “formiga” Álvaro Amaro (foi assim que ele se apresentou aos guardenses em 2013) não abre o jogo. Fica ou vai para Coimbra? É no mínimo estranho que nesta altura do campeonato ainda não tenha comunicado publicamente a sua intenção. É uma formiga calculista. O seu amor e interesse pela Guarda parecem depender das sondagens feitas ao eleitorado de Coimbra. Agora, por mais juras de amor que faça, ficará sempre a suspeita de que a Guarda e os guardenses são, na melhor das hipóteses, apenas uma segunda escolha do candidato. É no que dá alimentar, pelo silêncio, tabus em política. Destrói-se a confiança.

José Carlos Alexandre

Professor do Instituto Politécnico da Guarda

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