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Ambrosia

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Férias foi mais uma vez sinónimo de maior liberdade de tempo, para leituras, exposições e o que demais a “oferta” cultural nos proporciona.

Acabadas aquelas e de regresso à cidade, o inevitável convite para a inauguração de mais uma iniciativa da Arte Livre.

Juntar jovens pintores, com sábio veterano da História de Arte, pareceria um demasiado atrevimento, mas confesso, resultou muito bem.

Parabéns à Arte Livre que colocou ao nosso alcance mais uma manifestação cultural que nos deve orgulhar e, principalmente, vai fazendo a diferença numa das poucas àreas onde a Guarda e suas gentes vão dando cartas.

A exposição dos jovens, resultando de uma troca de experiências entre pintores já credenciados e uma escola onde as solicitações mais ao alcance de todos não serão a dedicação às artes, é de enaltecer quer a capacidade de sensibilização para o exercitar de tamanho desafio, quer os resultados apurados que, em geral, são muito satisfatórios e reveladores de uma iniciação bem conseguida.

Do Prof. Alves Ambrósio, muito se esperaria e em nada foram defraudadas as expectativas. Tirando o termo “camisetas”, que alguém apelidou de espanholismo, e que o autor preferiu ao termo T-Shirts, mais conhecido do público, mas apelidado de estrangeirismo pelo expositor, tudo o resto impressiona pela simplicidade, mas igualmente pela riqueza de conteúdo. A partilha do Saber, conjugado pelo gosto da viajem e da visita a museus e lugares que tal proporcionam, impressionou todos. Pude constatar que, da hora e meia de explicações dadas, em redor de cada “camiseta”, não foram demais para um público que de alunos a Amigos e gente interessada por estas exposições, manteve uma disponibilidade e atenção para ouvir ,nada habitual nestes eventos.

Ouvir explicar Cézanne, Cordoba, Courbet, Klimt e Manet, Miró, Montaigne ou Van Gogh, a partir de “camisetas”, verdadeiros testemunhos de vivências e verdadeiros episódios de “visitas culturais”, por quem sabe bem, o que visita, como visita e, principalmente, porque visita, foi uma lição exemplar de como partilhar culturalmente um conhecimento que raros têm, em proveito de muitos.

Vale a pena a visita as estas exposições, e se tiverem o privilégio de serem acompanhados pelos autores, como nós na inauguração, terão a bonita sensação, experimentada na exclamação que ouvi de um jovem lisboeta, apenas acompanhante de alguém interessado, que desabafava “se as exposições de arte fossem assim explicadas até eu passaria a ser visitante habitual”.

Apesar das vozes críticas, pela forma que se utilizou para mais esta manifestação, e que sempre aparecem neste tipo de eventos, julgo poder escrever – obrigado à Arte Livre por mais esta iniciativa.

P.S.E a propósito de manifestações culturais, com o regresso em 27/11 do Sexto Sentido à Rádio Altitude e com algumas informações recentes sobre os “dinheiros da cultura”, aqui fica a promessa de, no próximo número, tentar avaliar o desempenho do primeiro semestre do TMG/Culturguarda.

Por: J. L. Crespo de Carvalho

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