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Água da Covilhã 13 euros mais cara que a da Guarda

Estudo da ERSAR aos tarifários em vigor no ano passado mostra diferenças acentuadas de valores entre os municípios da região

Os covilhanenses são os munícipes da região que mais pagam pela água que consomem e também pelo saneamento. Nos resíduos sólidos, a fatura mais pesada vai para os habitantes de Celorico da Beira. Estas são algumas das conclusões da mais recente análise da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) aos tarifários praticados por 278 concelhos em 2011.

O estudo, divulgado na semana passada, mostra que para um consumo de 120 metros cúbicos por ano (10 metros cúbicos mensais), a água custa na Covilhã mais 13,20 euros que na Guarda – a quinta capital de distrito com a água mais cara do país -, enquanto o Sabugal surge na terceira posição com um custo anual de 148,32 euros (ver quadro). Em média, as famílias covilhanenses gastaram 14 euros por mês com a água, as guardenses 12,90 euros mensais e os sabugalenses 12,36 euros. Valores muito mais altos que o encargo médio nacional para o mesmo consumo mensal, que é de 9,80 euros, mas o valor mínimo é de apenas 1,50 euros, enquanto a fatura mais alta chega aos 20,38 euros. Na região (todo o distrito da Guarda e Cova da Beira), dez municípios cobram mais de cem euros por ano aos consumidores por este serviço essencial, sendo que Belmonte é o concelho onde se paga menos (53,40 euros).

No saneamento, a Covilhã também lidera e mais folgadamente, apresentando a fatura mais onerosa da região (168,96 euros) – isto é, mais 36,96 euros que os valores aplicados na Mêda (132 euros). Apenas estes dois municípios cobram anualmente mais de cem euros por este serviço, sendo que a Guarda e Seia estão ligeiramente abaixo com 94,20 e 93 euros, respetivamente. Estes dados representam uma fatura mensal média de 14,08 euros na Covilhã e de 11 euros na Mêda, enquanto os guardenses pagam 7,85 euros – a média nacional é de 5,69 euros. No fundo da escala estão Belmonte, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, cujos munícipes não pagam este serviço. Nos resíduos, também para um consumo anual de 120 metros cúbicos de água, as faturas mais elevadas encontram-se em Celorico da Beira (67,80 euros) e Almeida (60), seguindo-se Seia, Fundão (cobram ambos 57 euros), Covilhã (42,12) e Guarda (40,50).

O que significa que os celoricenses pagam, em média, 5,65 euros por mês, as famílias almeidenses cinco euros e as guardenses 3,37 euros. Já a média mensal é de 3,62 euros. Contudo, belmontenses e figueirenses voltam a não pagar nada, enquanto as autarquias do Sabugal (13,32) e Mêda (18) são as que cobram menos – em Vila Nova de Foz Côa, os valores ainda não tinham sido apurados à data do estudo. Tudo somado (água, saneamento e resíduos), cabe aos covilhanenses pagarem a fatura mais pesada, tendo pago 379,08 euros por estes três serviços em 2011. Ou seja, mais 89,58 euros que os guardenses (289,50 euros), surgindo os fundanenses na terceira posição com 283,08 euros. Segundo os dados da ERSAR, as famílias portuguesas gastaram em média, no ano passado, 19,11 euros por mês com os serviços de água, saneamento e resíduos. Já os habitantes de Paços de Ferreira foram os que mais pagaram no ano passado, em Portugal, pela água consumida (209,04 euros), menos 191,04 euros que os residentes em Terras de Bouro, onde vigorou a tarifa mínima (18 euros).

«Tarifas permitem equilíbrio sustentável do sistema», diz Câmara da Guarda

A Câmara da Guarda justifica que as tarifas cobradas em 2011 «permitem o equilíbrio sustentável do sistema e minimizar a dependência» da autarquia face à empresa de abastecimento de água e saneamento Águas do Zêzere e Côa (AdZC).

Confrontado por O INTERIOR, Vítor Santos, vereador responsável pelos Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS), refere que o valor em causa para «um consumo médio/mês de 10 metros cúbicos de água e tratamento corresponde a 65 por cento do valor total da fatura, sendo os restantes 35 por cento indexados à taxa de resíduos hídricos, resíduos sólidos e quotas fixas». Nesse sentido, o autarca sublinha que, a nível nacional, a Guarda está «a meio da tabela em termos de custo de fornecimento» e adianta que para 2013 se preveem «reajustamentos das tarifas, que não serão de valor superior à taxa de inflação». Na região, três municípios concessionaram o serviço de abastecimento e saneamento a entidades externas à autarquia. É o caso da Covilhã, que criou a empresa municipal Águas da Covilhã, de cujo responsável não foi possível obter um comentário em tempo útil. Também o município de Trancoso entregou o serviço à Águas da Teja, empresa privada detida pelo grupo Aquapor, e o Fundão adjudicou-o aos espanhóis da Aquália, que criou a Águas do Fundão.

Luis Martins

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