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A voz sem fronteiras de Fátima Miranda

“Perversiones”, o último trabalho da cantora vanguardista espanhola, tem estreia mundial no TMG

A vanguardista espanhola Fátima Miranda escolheu o Teatro Municipal da Guarda (TMG) para a estreia mundial do seu último trabalho, intitulado “Perversiones”. No sábado à noite estarão em cena um pianista, uma cantora e canções de toda a vida e de todo o mundo, de autores como Schubert, Satie, Amalia Rodrigues ou Lou Reed.

Segundo adianta a produção, o repertório foi escolhido a partir «da certeza daquilo que toca a cada um de nós, sem preocupações de exaustividade cronológica ou temática. Melodias medievais, lamentos, “lieds”, cantos de xamãs ou ragas entrelaçam-se numa perfeita harmonia com standards de jazz, coplas espanholas, canções pop, fado ou chanson». Tudo combinado com uma lenta fusão de imagens em preto e branco realizadas ad hoc pelo fotógrafo Chema Madoz. O pianista clássico Miguel Ángel Alonso Mirón é o cúmplice perfeito para Fátima Miranda neste projecto. Ousado e rigoroso, o músico transforma o seu piano «num instrumento multi-tímbrico, que é mais do que mero servidor da voz».

Fátima Miranda sempre compôs e cantou a sua obra empregando técnicas vocais insólitas, concebidas pela própria ou formadas a partir de culturas tradicionais do Oriente ou do Ocidente. Natural de Salamanca, iniciou a sua carreira nos anos 80 no “Taller” de Música Mundana, que fundou com Llorenç Barber, e depois de muitos anos de investigação e estudo, a cantora desenvolveu um reportório totalmente pessoal e inovador. Na sua obra, a voz é explorada através de todas as possibilidades de expressão cantada e falada, utilizando técnicas orientais e ocidentais ou da sua própria invenção, algumas delas multifónicas e cobrindo um registo de quatro oitavas, sem para isso se socorrer de qualquer manipulação electrónica. Desde então editou “Las Voces de la Voz”, “Concierto en Canto”, “ArteSonado” e “Cantos Robados”, espectáculo que passou pelo TMG em Novembro de 2005. Seis anos depois está de regresso à Guarda com “Perversiones”.

Fátima Miranda sempre compôs e cantou com técnicas vocais insólitas

A voz sem fronteiras de Fátima Miranda

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