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A vitória dos pequenos

Se há um verdadeiro vencedor nestas eleições é Paulo Portas. Um resultado merecido, aliás. Fez uma boa oposição no Parlamento, esteve bem nos debates e fez uma campanha excelente, onde, uma vez mais, não escondeu o seu fraquinho por peixeiras. Elegeu quatro ou cinco grandes temas, que martelou até à exaustão, acabando por os fazer entrar nos ouvidos e na cabeça de muitos portugueses. Agora está na posição invejável de árbitro do sistema político. O problema é que o CDS se reduz cada vez mais ao one man show.

O Bloco de Esquerda também obteve um excelente resultado. Não pára de subir e já vai nos 9,9% e nos 16 deputados. Não se percebe é para onde é que o Bloco está a subir. Será que deseja continuar eternamente um partido de protesto? E continuará Louçã a dar, todos os dias, sermões e a vergastar os infiéis? Parece-me um triste destino.

A CDU nem vale a pena comentar. Como é sabido, os comunistas ganharam todas as eleições que se realizaram em Portugal nos últimos 30 anos.

O PS ganhou as eleições e, nesse sentido, é o principal vencedor. Sócrates até declarou que o PS obteve um “resultado extraordinário”. O auto-proclamado “animal feroz” amansou nos últimos três meses e, agora, com este “resultado extraordinário”, é um animal ferido. Resta saber se está ferido de morte ou não.

Se há um perdedor nestas legislativas é o PSD. Trata-se, em grande parte, de uma derrota por culpa própria. Elegeu a “asfixia democrática” como uma das suas principais bandeiras, quando este não é manifestamente um dos problemas que mais atormentam os portugueses. O que preocupa muita gente neste momento é a crescente falta de dinheiro nos bolsos e a ameaça do desemprego. Um tiro ao lado, portanto. De resto, Ferreira Leite até podia ter toda a razão do mundo – e tinha, de facto, muita, o estado miserável a que chegou o país não permite mais aventureirismos – mas, decididamente, este país não é para velhos.

Por José Carlos Alexandre

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