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A União Europeia não é mais do que o caminho de desvirtuamento da solidariedade entre os povos

Crónica Política

Não tenham ilusões, a natureza de classe está bem espelhada nesta democracia burguesa, ignorando a dialética falibilidade das coisas e indiferentes aos sinais que brotam, sempre, quando as tensões sociais provocadas pela exploração capitalista vão, crescente e implacavelmente, ultrapassando os limites toleráveis já não apenas pelas pessoas, na sua solitária vulnerabilidade, mas pelas massas que configuram povos inteiros, no que de essencial têm os povos – que é as suas gentes que trabalham, fazem funcionar tudo e sem as quais nada é possível, nas sociedades humanas.

Revolta-me solenemente ouvir em conversas de café que os gregos não querem assumir as suas responsabilidades, mais preocupante é a sistemática catequização pelos órgãos da comunicação social do capital que não há outro caminho, quando as vítimas à mesa do café não se apercebem que lhes suprimem funções sociais do Estado fundamentais, reduzem as prestações sociais, acabam com o subsídio de desemprego. No fim de linha acabam-lhe com a dignidade de um dia poder tomar um café com os seus amigos, basta perder a mais elementar subsistência.

Em contraponto, eles, os tecnocratas, sabem bem o que o povo da Grécia decidiu, mas mesmo assim imprimem a novela, esta de quem cede o quê, não se trata estritamente ser a Alemanha versus Grécia, trata-se efetivamente dos que capturaram a máquina capitalista das estruturas da UE, os tecnocratas não eleitos pelos povos a imporem as soluções dos que detêm o capital, este chupado aos povos através dos bancos, que, por sua vez, são vassalos do BCE/FMI/UE nesta última proposta de “lavagem de dinheiro”. Sim quando tentam libertar-se dos seus ativos tóxicos não é mais que chupar o “o sangue fresco da manada”. Algo sério para um caminho fatal, o empobrecimento da maioria dos povos e o enriquecimento de uma minoria capitalista.

Sinto-me contente, mesmo no quadro das regras da democracia burguesa os partidos do pretenso “arco do poder”, os gémeos do PSD/PSD/CDS, foram apeados ou reduzidos à insignificância pelo voto popular; outra, que o significado é unívoco – resulta do descrédito desses partidos por tanto mentirem ao eleitorado e, sobretudo, por essas mentiras se traduzirem, invariavelmente, em mais e mais degradação da vida dos povos.

Conclusão indesmentível é que os mecanismos da dita democracia burguesa não estão para servir os povos, apenas pura e simplesmente para servirem (como sempre serviram) o capitalismo financeiro pela mão dos partidos do “arco do poder”. E quando o capitalismo atinge um estado onde age sem obstáculos nem adversários de peso – como na atualidade –, a sua avidez amplia-se em garrote implacável para a generalidade dos povos e países, onde se inclui o nosso Portugal. É momento de fortalecer os laços de solidariedade entre os povos, o caminho faz-se construindo alternativas políticas nos países, tal como aconteceu na Grécia. O patamar da transformação tem caminhos longos e difíceis que carecem de uma genuína militância não efémera.

Por: Honorato Robalo

* Membro do executivo da DORG do PCP

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