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A cultura jovem da Guarda passa pelo “33”

Grupo de jovens abre espaço inovador que pretende aliar as suas áreas de interesse a uma agenda cultural variada

Hugo Branco regressou à Guarda após terminar o curso de Jornalismo, no Porto. Inconformado com o desemprego, este jovem não podia adiar mais a «necessidade de se fazer à vida» e de trabalhar na sua área. Foi esta circunstância que o aproximou de Bruno Miguel, Daniel Andrade e Jorge Rodrigues, também na mesma situação. Os quatro criaram um espaço que promete esticar os limites da cultura.

É no “33”, atelier na Travessa Vasco Borges, perpendicular à Rua Dr. Vasco Borges, que a ideia “ganha” vida. Inaugurado no final da passada sexta-feira, o espaço tem quatro gabinetes que o grupo ocupa com as suas bases académicas: Hugo é o responsável por comunicação e multimédia; Bruno por design, pintura e escultura; Daniel por design de equipamento e Jorge por trabalhos de decoração. É ali que podem ser encontrados durante a semana, das 15 às 20 horas, disponíveis para o público e para atuar numa área que é a sua. O número 33, que dá nome ao atelier, não é apenas o seu local de trabalho, mas pretende, seguindo a mesma linha de interdisciplinaridade, «abrir as portas» à cultura e ser tido em conta como um espaço inovador na cidade.

Quem o diz é Hugo Branco, que apresenta o atelier como «uma espécie de “minimuseu” disponível para os artistas locais. Eles podem vir falar connosco, expor os seus trabalhos. Deixamo-los à vontade para isso, é um espaço de livre-trânsito», declara. É que um dos objetivos do “33” é ser um lugar «que sirva de montra e espaço de aceitação» aos artistas da Guarda. Atualmente, ali podem ser vistas instalações de fotografia, uma exposição sobre grafitis, performances ao vivo e arte contemporânea. Hugo Branco salienta que ainda estão numa fase embrionária, mas o objetivo é claro: «Queremos fazer disto uma programação contínua ligada ao cinema, workshops e ao máximo de iniciativas relacionadas com a nossa atividade», sublinha.

Também o problema do desemprego jovem não está esquecido e os workshops podem vir a ser uma «oportunidade para outros jovens também colaborarem», admite. Consciente de que esta aposta é um «risco» nesta cidade, o jovem defende que a Guarda «precisa de abrir portas à arte e à cultura». No entanto, diz ter ficado surpreendido com a adesão inicial ao projeto, pois «tem havido bastante “feedback”, mesmo antes da inauguração do atelier». Será, por isso, um local a ter em conta no movimento cultural da Guarda, onde destaca o TMG: «Traz bons artistas, mas o público nem sempre corresponde. Depois, há outros polos mais “underground” como o Aquilo Teatro ou o Atelier Daniel Martins que também apresentam bons programas», refere. Na sua opinião, a atividade cultural está cada vez mais influenciada pelos cortes orçamentais, mas também pela falta «de pessoas interessadas nas iniciativas ou projetos que pessoas interessantes apresentam». A agenda do “33” está disponível em http://pt-pt.facebook.com/pages/Trinta-e-Três/416213425093102.

Sara Quelhas O espaço “33” tem agora patente uma exposição sobre grafitis

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